É um festival jovem feito por jovens para um público diverso. O Festival Mundo, realizado na cidade de João Pessoa, já começou diferente quando percebeu que as diversidades artísticas se somam em harmonia. Unir estilos diferentes de rock e arte independente, como apregoam seus produtores Rayan Lins e Carolina Morena desde a primeira edição no ano de 2005. O evento oferece além da boa música independente local e nacional, interação com artes plásticas, videos, palestras e oficinas, além de stands para vendas de material relacionado. Para sua quarta edição o Festival Mundo será no mesmo local e com data diferente do ano passado. Em breve conversa a dupla produtora nos fala sobre o festival.
Por que fazerem um festival de música? O que motivaram a fazerem o evento?
Rayan: O nosso gosto por música acabou fazendo com que trabalhar com isso fosse algo natural, e em 2004/2005 estavamos todos ávidos por maiores movimentações na cidade. Não tinhamos nenhum bar onde pudesse rolar show todo fim de semana, o Mor-março tinha acabado e não tinha nenhum festival com essa proposta na cidade. Mas a gente olhava ao redor e não faltavam bandas sendo formadas, de todos os gêneros. Faltava algo que pudesse reunir toda essa movimentação. Algo maior, mais organizado, porque os shows que rolavam as vezes eram muito segmentados e o público era muito carente. Tanto é que o primeiro festival foi um sucesso, super comentado e incentivado na cidade . Depois dessa primeira edição a gente viu que realmente, aquilo era algo que teria que ter uma continuidade, que era viável e necessário.
O evento juntou outras midias e artes, tomando um aspecto multicultural. Por que agregaram outras artes? Isso seria um diferencial em relação a outros eventos da cidade?
Carol Morena: Isso foi natural, já que a gente consegue observar que esse universo independente que a gente contempla não é só música, e sim um universo musical. Isso inclui o vídeo e a arte plástica, por exemplo. Estes artistas, assim como as bandas, também estão produzindo e precisam ser divulgados, precisam mostrar o que fazem e encontrar um local para isso.
Rayan: Pois é, e querendo ou não isso se torna um diferencial, um algo a mais pra oferecer pra quem vai ao Festival Mundo. Gostamos dessa idéia de ir a um local e poder ver e conversar sobre o show, mas também sobre a exposição dos artistas novos da cidade, num mesmo contexto, afinal de contas você não vai num festival unicamente pra ver determinada banda, você vai trocar idéia, ver gente, conhecer novas coisas, etc.
Qual a grande dificuldade para se fazer um festival desse porte?
Carol Morena: A mesma que eu acho que é comum a 90% dos festivais independentes do país: Investimento, grana, patrocínios seguros. Eu acredito muito que se precisa de o mínimo de estrutura e boas condições, em qualquer evento que seja, principalmente num festival: Som bom, local decente, estrutura ok, atenção com as bandas, fazer o público se sentir confortável, comida, cerveja num preço justo, sabe? Essa de fazer de qualquer jeito, de simplesmente executar e não dar atenção a detalhes essenciais já morreu há muito tempo. O público fica sempre mais exigente, assim como a imprensa, o que ótimo. As pessoas não estão mais tão dispostas a ir a qualquer espelunca pra ver uma banda tocando num som tosco, e quem trabalha com produção já se ligou nisso, tem que encontrar artificios pra atender a expectativa. Aqui em João Pessoa eu também vejo isso acontecendo, só que o problema é o seguinte: O publico ficou exigente, mas não acostumou a pagar um pouco mais por isso. E sem grana, obviamente, não dá pra fazer milagres. Hoje a gente cobra R$8,00 para cada noite, ingresso vendido na hora, porque antecipado ainda pode sair por R$6,00, e eu vejo molecada na frente pedindo pra fazer mais barato, é inacreditável! Principalmente se a gente for ver que o que a gente oferece vale muito mais que R$8,00. Além disso, festival não se paga só com bilheteria, principalmente em João Pessoa, onde o público é super pequeno. Patrocinio é complicado, é trabalhoso e é incerto. Existe pra determinado ano e pra outro não, e é importante manter um padrão nas edições do festival. A gente tem que se virar com artificios para segurar as empresas que se mostram interessadas, é papel do produtor isso. Os editais são interessantes, mas carregam esse problema de rolar um ano e no outro ser algo incerto. Festival independente na verdade é muito dependente de dinheiro publico sim, de empresa privada sim. Não tem como negar isso. A gente sabe de casos de festivais que rolaram bem sem patrocinio, mas aí o produtor de ferra, passa anos pagando divida, vende carro... Porque, como eu disse antes, a gente sabe que festival não se paga com bilheteria. Não dá mais pra ter essa visão romantica de fazer um festival (ou qualquer coisa que seja) só por amor, sabe? Quando no fim vai ser só o seu que vai estar na reta. Pode ser muito bonito, mas não é viável e não é esse o caminho que a coisa tem que seguir. Ela tem que se sustentar, isso é fato. E cada vez mais o padrão vem subindo, porque a coisa tem que evoluir.
Os festivais sempre foram veiculos importantes no cenário nacional. O que pensam sobre isso?
Rayan: Pois é. Festivais são vitrines do que acontecem em cada cidade, as bandas que mais se destacam, ou que merecem atenção, as caracteristas do local, etc. É super importante conhecer o que tá rolando de novo. Além disso é fundamental a ingrenada que um festival dá na produção da cidade, o poder de estimular novos artistas, a importancia de criar um espaço decente pras bandas tocarem e divulgarem sua música, com uma visibilidade legal.
Como vocês analisam a existência de dois festivais independentes na nossa cidade? No caso me refiro ao Aumenta Que É Rock.
Carol Morena: Nós vemos isso de forma positiva. Não só pela história de ser mais um espaço, mas também porque é interessante ver outras pessoas produzindo, torna a coisa mais dinâmica. Não acho muito interessante essa história de centralizar as ações de um local somente num grupo fechado de produtores, acaba tornando tudo meio morno.
Rayan: E acho bacana que os dois festival daqui tenham aspectos que se diferenciem. Nós temos elementos que o Aumenta não tem, que é esse interesse por outras vertentes da arte independente também, não só a música. Por outro lado o Aumenta tem uma grande vantagem, que é de ser na mesma época do DoSol, em Natal, o que facilita a vinda de bandas maiores ou de mais longe pra cá. Quem ganha é a cidade e o público, estamos todos no mesmo barco.
Qual a perspectiva do evento para esse ano? Quais as novidades?
Carol Morena: Estamos, no momento, estudando atrações e correndo loucos atrás de empresas que possam patrocinar, mas já fechamos algumas coisas. Temos algumas bandas previstas, mas nada confirmado. O que podemos dizer é que vai acontecer no mesmo local do ano passado, no Conventinho, e que mudamos de data.
Rayan: Pulamos um mês, não vai ser mais em setembro, mas sim em outubro, já que setembro ainda rolam umas chuvas e o festival é feito em local aberto.
Carol Morena: A gente espera nunca mais ter que se preocupar com chuva, São Pedro nos ouça.
Rayan: E estamos torcendo agora pela aprovação no edital do FIC. Aí sim, será tudo como a gente planejou.
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2 Comentarios
1"Pode CrÊ!" De tudo que li na materia, o que mais concordei foi o lance do ingresso. Pode crê que fazer um festival à 8 pilas é milagre. Todos os anos faço o possível p/ V os festivais, quando to de "baixa" passo o mês inteiro sem sair p/ curtir, economizando porque sei que a galera além de trazer boas bandas, vai oferecer material p/ comprar, vai ter curso e vai ter palestra e o escambau. E pagareia não só os 8, mas 18, 28 se fosse o caso. porque sei que vale. Negocio é que por aqui, aturma que saber da farra e não da musica, do rock e de todo o crescimento que um festival bem organizado por porporcionar!
2"palmas!" Toquei no festival mundo ano passado e a produção foi de prima. Muito bom sermos recebidos como artistas mesmo, com muito respeito e cuidado. Só tenho a agradecer a todos que tornaram o festival possível. Palmas!!!
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