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A primeira sexta-feira do mês nunca falha. PDF Imprimir E-mail
Escrito por Alberto Nanet   
05-Jul-2008

É o de sempre, sexta-feira pega o carro, pega a gata, nessa época pega um casaco se não quiser pegar uma gripe também. Tudo pronto é só sair pra ver no que dá. Em especial na noite de ontem já sabia o que fazer, mas para não perder a expectativa que costumo sentir, não sabia no que iria dar, sabia que três bandas estariam lançando seus EPs no Galpão 14, Nublado, Gauche e Sem Horas. O Largo de São Pedro estava lotado, mas era de carros. Não vi a barraquinha que fica de frente, não tinha ambulante, estranhei bastante. Até aquelas velhas figuras que sempre aparecem e nunca entram pra curtir as bandas e ficam pelas escadarias da igreja, que sempre são tão fiéis em não assistir ninguém, e são muitos, mesmo esses não estavam tantos por lá. Para mim era sinal de que alguma coisa legal estava rolando e eu não sabia, ou pelos menos iria, acendi um cigarro e perguntei pra alguém: “tem algum outro show rolando cara?”. A resposta negativa veio acompanhada dos acordes de Purple Haze vindos de dentro do Galpão. Olha lá, que o que tem de legal vai começar.

Paguei o ingresso, paguei a cerveja, e me preparei, quem iria começar era a Nublado. A banda é animadíssima, mas sem exageros, sem palhaçadas, rock direto e sincero. Com melodias belas, mas sem perder o “punch”, conseguiram fazer um mix entre Toxic de Britney Spears e Lost Art of Keeping a Secret do Queens of the Stone Age, parecer legal. As influencias ficam muito claras em suas músicas, Travis e Foofighters (principalmente por parte do baterista Rayan Lins) foi o que consegui perceber. Das três faixas do EP, Disfarce Insônia e Amanhã, esta ultima era a mais pedida pelo público e os rapazes guardaram-na para o final, junto com uma do Artic Monkeys para fechar a participação deles na noite. Rápido, direto, discreto, e no alvo. Sem maiores firulas nem blá blá blá jogado fora. Uma banda enérgica e direta como o bom rock tem de ser.


A segunda banda da noite é a Gauxe ou “goxe”, palavra francesa que significa esquerdo, mas também pode significar estranho, desajeitado. De fato os rapazes não fazem o estilo “rocker”, carinhas de CDF, óculos na cara, eles fazem um som igualmente goxe, pop folk com letras psicodélicas. Sobem no palco, uma passadinha no som bem breve e já dão início, meio de repente, com a puxada no violão de Bruno Sérgio. No myspace da banda um dos contatos me chamou atenção, Kula Shaker, e pode acreditar tem muito haver. Um som que me lembrou Kleiton e Kledir, só que mais vitaminado, puxado para os Byrds. Fendas para o mar, mar de atlântida, gigantes astrais no teatro de serafins. E a coisa vai longe. O som para curtir numa boa, na paz, prestando bem atenção nas batias cadenciadas, setentonas, como a última música do repertório pode traduzir. Um rock adulto, para adultos, para quem abre bem a mente para sacar melodias das mais diversas.


Depois de mais algumas cervejas, bate papos, nem notei que a última banda já estava posicionada, fui pego de surpresa por um ataque na guitarra, rockabilly, mas a banda eu já conhecia, faz uns dois anos. Eles não eram exatamente esses caras que estavam ali puxando o ultimo gás da platéia para rebolar e pular. O lançamento do EP é uma decorrência de todo o crescimento que a banda tem mostrado, tudo culpa de uma personalidade muito marcante na banda, Carlos Kobal, que atua quase como um maestro enquanto Igor Tadeu, leva o publico. Não é especialmente o tipo de música para qualquer momento, é a banda certa para se fazer uma farra, para agitar o esqueleto, com letras cheias de “tchuaps, tchuap”, “uhuuuuuus”. Para se tomar cervejas e rir enquanto eles comandam o agito. Iê iê iê.


Acabaram-se as bandas, fiquei feliz por saber que a noite de sexta-feira, a primeira sexta-feira do mês, foi tão deliciosamente nova assim. Tenho dois CDs novos no bolso, um cigarro na boca e quando sai do Galpão 14 e olhei para a noite, coincidencia ou não, essa foi uma noite de céu Nublado, de clima Estranho e Sem Horas para acabar, pois a senhorita Adloff está comigo e eu ainda estou nas expectativa.
Amo sempre a primeira noite de sexta-feira do mês.

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