Você já ouviu falar nas bandas Movement (93), Chronic Missing (96) e Girassol-em-Fuga (00)? Sabe o que existe de comum entre elas e os Automatics? A resposta é Alexandre Alves, mentor das citadas e mais conhecido entre os amigos como "The Boss". Automatics foi criada em Natal em meados de 2002 com Alexandre (vocal/baixo), Henrique Pinto (guitarra/backing vocals) e Augusto César (bateria). Em novembro do mesmo ano lançaram o CD/EP com cinco faixas barulhentas, um 'noise pop'- como eles preferem chamar - Desert Music for Visible Enemies. Em 2004, a banda gravou pelo selo Solaris Discos o primeiro CD triplo do rock independente brasileiro - More Senseless, tematicamente dividido em acústico, elétrico e experimentações eletrônicas. Amanhã, a banda potiguar, tocará no Ksa Rock. Será o primeiro show na cidade depois do lançamento do "Post-Fiction" (2008) - resenhado pelo Lado Norte em maio desse ano. Para conhecer mais sobre a banda, publicamos aqui, uma entrevista feita em 2006 com Alexandre Alves para o Portal Rock Press.
Qual característica perdura na música independente que não deveria mais existir?
Duas questões: primeiro, não é porque é independente que precisa ser mal gravado. Ainda existe isso, principalmente pelo fato de quem trabalha nos estúdios não sabe gravar rock. Isso tem que mudar. Que demitam todo mundo e que se contrate gente competente... A outra é nova. Gente como Marisa Monte e Lobão, pessoas com um passado ligado às grandes gravadoras, posando de "independente". É dose, e a música deles só piorando, ainda bem. Independente, para mim, é a Baratos Afins, "25 anos de descompromisso com o sucesso". Isso, sim, é que é slogan. Há um terceiro problema, o mais grave, que é a falta de um distribuidor. Não vai ser uma Tratore, com alguns preços lá nas alturas, que vai resolver o caso. Acho que a solução seria um distribuidor para cada região. E olhe que já seria trabalho demais...
Keith Richard disse que a música já está pronta em algum lugar, ele apenas é o canal para executá-la. Qual o seu processo com a música?
Matematicamente a música está pronta. A combinação é finita. Espiritualmente, seja lá o que for isso, a música nunca está pronta. As melodias vocais podem mudar de um minuto pro outro, já fiz várias canções com linhas vocais diferentes e optei pela que achei mais variante, pois a música pop enjoa rápido, apenas algumas sobrevivem ao tempo.
Sei que você não tem nenhuma dificuldade para fazer letras... de onde vem a sua inspiração?
Ler de tudo, até Paulo Coelho, pra dizer que ele escreve mal, e para um público obsoleto e angustiado exotericamente com este planeta do jeito que está. Ler em inglês e espanhol também ajuda no vocabulário. Mas as letras do Automatics seguem uma linha meio dadaísta, pegando uma palavra aqui e outra frase ali. Se alguém está preocupado em dar sentido a ela, que dê. Acho as letras secundárias, primeiro é a guitarra, bateria e baixo. Música é feita para emocionar e mesmo não se sabendo outra língua, alguém pode se identificar com aquilo. Inglês é mais fácil, poucos fonemas, poucas palavras se comparado ao português, combina mais rapidamente com poucas palavras se comparado ao português, combina mais rapidamente com poucas notas musicais (nosso caso).
Qual a sua música favorita do Automatics? Se houver mais de uma...
"Landscape", porque ela tem três partes diferentes e isso é algo difícil de se fazer e ficar bom. O refrão estava guardado há uma década. "Everlost" não vale, é 'hors-concours', mas é a música que sempre quis fazer. Duas notas e aquele refrão.
Quais são os álbuns que formam a sua discoteca básica?
Byrds - Mr. Tambourine Man, Beatles - Rubber Soul, Teenage Fanclub - Grand Prix, Ride - Nowhere, Waterboys - Fisherman's Blues, Violeta de Outono - o primeiro LP, Fellini - Amor Louco, Pin Ups - Time Will Burn, Continental Combo - o primeiro CD, Neil Young - Comes a Time, Mopho - o primeiro k7, uma leitura mineral incrível, Jayhawks - Rainy Day Music, Church - Starfish, Muttonbirds - Envy of Angels.
Você tem algum compositor favorito atualmente?
Difícil responder, sempre pensei nas bandas como um todo, nunca no compositor. Também não presto muita atenção nas letras,só quando escrevem muita besteira, como o Fountains of Wayne, letras horríveis, por sinal. Sempre gostei de Lloyd Cole, do Teenagers Norman/Gerry/Ray e de Neil Healstead, do Mojave 3. No Brasil somente Sandro Garcia (Charts/Momento 68/Continental Combo) e Fábio Golfetti (Violeta de Outono) chamam minha atenção. Dou muitas risadas com os Los Hermanos e Gram.
Qual álbum ouviu recentemente que ainda se mantém imbatível?
"Comes a Time", de Neil Young, e "Fisherman's Blues", dos Waterboys.
Uma bela e agradável voz feminina até hoje.
Com certeza, Margo Timmins, dos Cowboys Junkies. Desde Trinity Sessions (1989) até One Soul Now (2004), um bálsamo celestial para meus ouvidos, coração e mente.
Como foi a experiência no estúdio Quadrophenia com o Continental Combo Sandro Garcia?
Estava frio, muito frio. Sandro Garcia pilotou tudo e emprestou seus instrumentos vintage. O baterista do Chandler (Eduardo) emprestou as baquetas do tipo escovinha e foram gravadas duas novas faixas sob a audição matinal de Lucksmiths e Hal. Sandro Garcia ainda teve que colocar sua famosa Shecter de doze cordas e mixar depois. Augusto (baterista) estranhou não tocar com o bumbo, coisa de metaleiro metrossexual.
Qual a música composta durante as horas no Quadrophenia?
A música não foi composta lá, foi composta de manhã olhando a janela da Joaquim Floriano. Apenas a letra foi terminada no Quadrophenia II. A tal faixa se chama "Photo in SP".
Quantas faixas terá o próximo álbum do Automatics? Quantas prontas?
Dez faixas novas e talvez alguma versão ao vivo lá do show no teatro C.E.U., no Itaim Paulista. Já tocamos algumas ao vivo, como "Before and After", "Stereo-Sky" e "Paralyzed Out". Acho que vai ser menos barulhento e com mais violão. Vai se chamar "Imperfect Postcards" e deve sair até começo de setembro. Antes disso, vamos lançar um CD 100% acústico contendo faixas do "More Senseless" e sobras de estúdio.
Qual o seu álbum favorito no momento?
Kathleen Edwards, Back to Me. Ninguém gosta deste disco da canadense. Ótimo pra mim. Só assim eu não escuto por aí e não enjôo. O CD de estréia do Continental Combo também está em cima do som.
Qual a letra preferida que você compôs?
Letra... eu não gosto de nenhuma. Sorteio frases e vou montando haikais. Junto tudo, de preferência sem muita rima, e seja o que o destino quiser. É mais uma questão de obter uma sonoridade. Acho que as melodias transmitem mais que as letras. Mas no próximo disco o encarte vai vir com os refrões... Já alguma música... prefiro "Everlost" porque tem apenas duas notas e qualquer pessoa neste planeta pode tocar. Nunca quis ser Mozart, embora tenhamos nascido quase no mesmo dia. Henrique também fez uma grande música, que é "Landscape", que eu mesmo não consigo tocar porque ela tem três partes diferentes e umas sete notas. Mas a música é ótima.
Entrevista publicada no site da Rock Press em maio de 2006
PROGRAMAÇÃO DA SEMANA KSA ROCK:
SEXTA HEAVY METAL: 04/07/2008) show das bandas:
- IRON MAIDEN Cover
- THYRESIS (death-black-heavy)
- Discotecagem Olga Costa (rock) - Ingresso: R$ 5,00 (Ambiente refrigerado)
SÁBADO (05/07/2008) show das bandas:
- THE AUTOMATICS (Natal/RN) rock inglês puro e direto.
- NA CABEÇA DO TEMPO (tocando hits do U2, The Cure, INXS, Ramones, Pixies, Beatles, Elvis)
- Discotecagem Olga Costa (power pop/rock) - Ingresso R$ 5,00 (Ambiente refrigerado)
KSA ROCK: Rua Duque de Caxias, nº 73 - Centro - João Pessoa/PB (por trás do casarão dos azulejos) - Vídeo Bar, Loja de Acessórios, CDs, Camisetas, Livros
DIAS DE FUNCIONAMENTO: terça a quinta das 15h às 22h, sexta a partir das 15h, sábados às 21h. (obs: será cobrado ingresso nos dias que houver shows, discotecagem ou festas especiais)
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