Início seta Colunistas seta Renato Ricardo seta A festa Gay e o Tenente Nocera
A festa Gay e o Tenente Nocera PDF Imprimir E-mail
Escrito por Renato Abreu   
11-Jun-2008

Certa vez, em uma quinta-feira a noite, há alguns, quem sabe oito anos atrás, estava eu em casa procurando algo para fazer, numa noite entediante. Então, liguei para Marcelo Nocera, amigo de longa data e o chamei para irmos à Feirinha de Tambaú, lugar, que naquela época, era conhecido na cidade de João Pessoa pelos frequentadores de botecos e apreciadores de uma boa conversa, também, nesse tempo não se pagava cinquenta centavos para fazer as necessidades fisiológicas por lá.

Pois bem, peguei o meu carro e fui pegar Nocera, como gosta de ser chamado, em casa e nos encaminhamos para a Feirinha de Tambaú. Quando chegamos na Feirinha, Nocera percebeu que tinha esquecido o seu cartão de crédito, na noite anterior, na administração de um motel de propriedade da sua família. O cartão de Nocera era a única fonte de renda naquela noite para custear os nossos gastos com bebida. Então, resolvemos ir até o motel para pegar o cartão esquecido.

No caminho, Danilo liga, um amigo nosso, mas meu que de Nocera, querendo saber onde iriamos, e se poderia se juntar a nós. Dissemos que estavamos procurando um lugar para tomar uma “ceveja” e jogar conversa fora e que não teria problema em ele ir conosco, e que iriamos pegá-lo em casa. Foi aí que tivemos a seguinte idéia: Quando pegassemos Danilo não falaríamos para onde estávamos indo, diríamos apenas que estavamos saindo para um destino ignorado e que quando chegássemos ao local ele saberia onde iriamos, no caso o motel, e aí, o surpreenderiamos com uma revelação bombástica, que eu e Nocera eramos gays e estávamos indo fazer uma “festinha gay” no motel e que ele, Danilo, teria que de participar da nossa “festinha gay”. Vale salientar que não somos e nunca fomos gays, sem nenhuma crítica pejorativa a quem seja, queríamos apenas ver a reação do Danilo e dar boas gargalhadas.

Danilo entrou no carro todo alegre e falante querendo saber para onde iriamos naquela noite, e sempre respondíamos "você vai ver, e acho que vai gostar...", ao aproximarmos do motel a expressão no rosto de Danilo mudou ficou mais séria e, o "aonde vamos" saia da sua boca com um tom tenso. Quando pegamos a via que da acesso a portaria do motel Danilo ficou imóvel, em seu rosto um expressão de pavor, quase nem se movia, nem conseguia proferir qualquer som. Foi aí que falamos -"Pô cara, você não sabia que eu e Nocera somos gays vinhemos fazer aqui no motel uma “festinha” e que queremos que você participe !", Danilo, sem acreditar no que estava acontecendo, nem que estava acontecendo com ele, só conseguia falar -"Brincadeira, porra !!" Eu tentando ficar sério para não cair numa gargalhada sem fim, e Danilo quase pulando do carro e correndo só conseguia dizer -“Brincadeira, porra !!!!”. Quando chegamos a portaria e Marcelo anunciou que tinha vindo pegar o cartão que houvera esquecido. Caímos, eu e Nocera, numa gargalhada sem fim, Danilo, aliviado, por não participar de uma suruba homossexual desabafou -"Vocês são uns viados mesmo !!!!".

Com a nossa fonte de renda recuperada era hora de partir para a esbornia, como o motel era longe da Feirinha e da praia de Tambaú resolvemos ir para um bar chamado Cactus que ficava no bairro do Bancários, era um lugar bem frequentado, por belas universitárias. Chegando lá, o bar esta pouco movimentado, e sem sinal das belas universitárias, então resolvemos ir a um outro bar, de um conhecido nosso, o bar ficava no mercado do bairro de Magabeira, chegando lá, esse bar também estava pouco movimentado, então resolvemos ir a um outro bar no bairro do Valentina de Figueiredo, que também estava pouco movimentado, então resolvemos ir a um outro bar no Geisel, e, se este estivesse pouco movimentado iriamos pegar a auto-estrada e voltar para a praia para acabar a noite na Feirinha de Tambaú, tomando cerveja, falando de música e de desenhos animados.

No caminho para o bar do Geisel notamos a presença de uma viatura da Polícia atrás de nós, como não eramos bandidos, nem nunca fomos seguidos ou abordados pela polícia, não demos muita atenção ao fato, e até brincamos de “fugitivos da polícia”, acelerando o carro para simular uma fuga. Chegando ao bar do Geisel, vimos que o movimento também estava fraco, resolvemos então pegar a auto-estrada e voltar para a praia.

Mal pegamos a auto-estrada notamos um carro da polícia a nossa frente estacionado na contra-mão, e o carro de polícia continuava nos seguindo, quando chegamos perto do carro de polícia da frente, este se jogou na frente do nosso carro e nos trancou. O carro da polícia de trás com uma manobra de filme de ação chamada “Cavalo de pau”, nos trancou também tirando qualquer possibilidade de alguma manobra com o meu carro.

Começou a pular policiais de todos os lados de armas em punho e engatilhadas, e todos gritando, ao mesmo tempo -"Desce porra !!!! Desce porra !!!!". Atordoado olhei para Nocera e para Danilo que estavam tão assustados quanto eu, tinha até policial com metralhadora apontando para nós. Descemos do carro, atordoados, e os gritos mudaram -"Mão na cabeça !!!! porra !!!! Mão na cabeça !!!! porra !!!!". Obedecemos logo para não levar uns safanões e, após uma revista detalhada em cada um de nós e uma revista no meu carro, onde nada foi achado há não ser livros e umas meias sujas. Fomos informados porque fomos abordados de maneira tão contundente.

Acontece que três pessoas do sexo masculino, num carro igual ao meu tinham executado um assaltado a mão armada, com uma vítima em um bar no Castelo Branco, bairro vizinho dos bancários, a polícia deflagou uma busca, e nos encontraram nos bancários, de onde começaram a seguir o carro "suspeito", o meu, no caso, esperando o melhor local para uma abordagem com uma possível troca de tiros.

Com o mal entendido parcialmente resolvido fui questionado pelo documento do carro, informei que estava com o despachante, para providenciar o emplacamento, e que não estava comigo. Fomos, então, informados pelos policiais que iriamos todos para uma delegacia no Geisel, para prestar esclarecimento, pela falta do documento do carro. Um policial iria no meu carro e para não fugirmos, Nocera teria que ir na viatura, com os policiais, como era época de chuva e frio, Nocera estava trajando uma jaqueta preta com alguns detalhes nas mangas que lembrava as jaquetas da força aérea americana. Cara de pau que só ele, Nocera, sentou logo no banco da frente da viatura e seguimos em comboio para a delegacia no Geisel para prestar esclarecimentos.

Acontece que no caminho para a delegacia um outro carro, igual ao meu, tinha acabado de capotar e estava começando a juntar curiosos para ver o acidente, a viatura da frente parou para verificar se aquele era o carro dos bandidos procurados pela polícia. O policial no meu carro também pediu para paramos.

O primeiro a descer da viatura foi Nocera, que ao descer, foi logo abordado por uma moça, bonita por sinal, que curiosa foi logo lhe perguntando com todo respeito e admiração -"Tenente, o que aconteceu ai ?", Nocera não exitou -"Bem, chegamos agora e estamos averiguando esse acidente, porque tem uns bandido que praticaram um assalto e que estão num carro igual a esse, queremos ver se esse é o carro dos bandidos!". O policial que estava ao lado dele, ouviu a presepada, e começou a rir, quando os outros policiais voltaram ele falou para Nocera -"Tenente, já averiguamos o acidente, este não é o carro suspeito, podemos então voltar para a delegacia, Tenente?", e Nocera, com toda a autoridade que a patente lhe concedia -"Positivo, se esta tudo 'ok' podemos ir então!", o policial riu, entramos nos carros e saímos todo para a delegacia, Nocera no banco da frente da viatura, com o braço para fora, aos olhares apaixonados da moça que explicitamente admirava as patentes militares.

Na delegacia, tive que acionar o meu irmão mais velho para ele poder intervir e nos liberar. Liberados, e depois de explicar toda a história ao meu irmão pegamos o meu carro para irmos para casa, todos exaustos e ainda pensando no que aconteceu. Sem o menor bom senso, Nocera nós lança uma proposta -"E ai ? vamos beber onde ?" Eu não respondi, Danilo também não, fomos todos para casa dormir e agradecer por termos chegado vivos em casa naquele noite.

Quem não bebe, em bar vazio, tem história para contar.

» 2 Comentarios
1"muito engraçado" de Jesuino em 12 de junho de 2008 08:49
Marceleza é uma figura. ainda bem que parou de presepar. hehehehehe. 
ótimo caso, bem humorado.
2"Surreal" de alexandre alves em 15 de junho de 2008 21:53
Me acabei de dar risada com essas figuras iconoclastas. Um bom humor que inexiste em Natal, somente em lugares alto astral, como João Pessoa. 
Boa narração a do Renato Abreu. Li de um fôlego só.
» Envie seu Comentario
Email (nao sera publicado)
Nome
Titulo do comentario
Comentario
 
< Anterior   Próximo >