Início seta Colunistas seta Para quem ia para a Ksa Rock, a mudança de planos foi radical e hormonal...
Para quem ia para a Ksa Rock, a mudança de planos foi radical e hormonal... PDF Imprimir E-mail
Escrito por Calina Bispo   
03-Jun-2008

foto_primaveraverao.jpgJá que não pude ir à inauguração da Ksa Rock, me resignei e fui assistir a filmes. Para combater a vontade, sem poder, de estar em todo o fuá que deve ter rolado no último sábado (31), na Duque de Caxias, procurei em meu acervo, algo mais tranqüilo, que me fizesse não pensar muito na noite lá fora.
 

Então me deparo com uma obra prima que já assisti tantas vezes, nada melhor para “relaxar” e refletir sobre aquilo que se gosta. O filme Primavera, Verão, Outono, Inverno, Primavera...No dia-a-dia corrido, disputado por compromissos profissionais, financeiros, pessoais, familiares e etc, este filme em pouco mais de duas horas, faz uma revolução em nosso ritmo de vida – não digo que seja de forma contínua, mas com toda certeza, durante o tempo que estiver assistindo, isso acontece sim.

 

Isso acontece porque o diretor, o coreano Kim Ki-Duk, carrega no tom espiritual sem institucionaliza-lo, permitindo ainda que o espectador, além de sentir prazer em assistir ao filme, também reflita sobre aquilo que está vendo. E o que se está vendo é o conflito do indivíduo autônomo que a contemporaneidade exige de cada um e suas tradições milenares.

 

Quem fala sobre isso é o crítico e cineasta francês François Truffault, no artigo “Proporcionar prazer, ou o prazer do cinema”. Aqui o francês observa que o cinema só é grande quando consegue apoiar-se na realidade, o que a torna flexível também, apesar de toda e qualquer imprevisibilidade da vida real. É isso que acaba “estabelecendo os elementos de uma mitologia de imagens”.

 

A história do filme é a seguinte: dois monges vivem isoladamente em um templo budista flutuante rodeado por um belo lado em meio a montanhas – o templo foi construído exclusivamente para o filme, o que revela uma tendência empreendedora na produção cinematográfica coreana.

 

A ruptura surge quando o monge mais novo se apaixona por uma mulher e deixa o templo.Com a passagem de tempo, o monge volta para se esconder de um crime que cometeu. Segue daí pra frente, o conflito interior do ex-monge, e o esforço do monge mais velho pela “vitória” da tradição em detrimento da autonomia da vida moderna.

 

Inteligente, o filme não abusa de diálogos desnecessários, ao contrário, eles quase não existem. Cada plano filmado provoca o desenrolar da narrativa.  A câmera de Ki-Duk neste filme será lembrada por todos que o assistem. Ela reforça a poesia de um cinema de reflexão, mas antes de contemplação. As cenas longas, pausadas e os muitos planos gerais dos cenários naturais reforçam a metáfora da vida, que aqui se apresenta pela passagem das quatro estações. A natureza é a personagem principal, e a água, o fio condutor da história. 

 

Ficha Técnica Primavera, Verão, Outono, Inverno, Primavera...
Título Original: Spring, Summer, Autumn, Winter...and Spring
Direção, roteiro, edição: Kim Ki-DukPaís de origem: Coréia do Sul, 2003

» 1 Comentario
1"Dica!" de Pedro Dantas em 03 de junho de 2008 22:09
Cara Calina! Sem dúvida esse filme é sensacional. Não vou gastar linhas e linhas criticando pois não há necessidade, fica meio cnasativo e nem sempre a gente explica direitinho o que sente nessas linhas no monitor. Se quiser um dia bater um papinho tomando um chop podemos filosofar sem pressa mais a vontade! 
 
Um conselho? Assista o filme argentino "Un Buda"...não sei exatamente o ano, 2006 ou 2007, mas não deve ser difícil se informar dando uma olhada no imdb.com... Depois, se puder, você me diz o que achou. Proposta diferente, mas a profundidade é a mesma. 
 
Parabéns pela matéria! Chero!
» Envie seu Comentario
Email (nao sera publicado)
Nome
Titulo do comentario
Comentario
 
Próximo >