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Já que não pude ir à inauguração da Ksa Rock, me resignei e
fui assistir a filmes. Para combater a vontade, sem poder, de estar em todo o
fuá que deve ter rolado no último sábado (31), na Duque de Caxias, procurei em
meu acervo, algo mais tranqüilo, que me fizesse não pensar muito na noite lá
fora.
Então me deparo com uma obra prima que já assisti tantas
vezes, nada melhor para “relaxar” e refletir sobre aquilo que se gosta. O filme
Primavera, Verão, Outono, Inverno, Primavera...No dia-a-dia corrido, disputado
por compromissos profissionais, financeiros, pessoais, familiares e etc, este
filme em pouco mais de duas horas, faz uma revolução em nosso ritmo de vida –
não digo que seja de forma contínua, mas com toda certeza, durante o tempo que
estiver assistindo, isso acontece sim.
Isso acontece porque o diretor, o coreano Kim Ki-Duk,
carrega no tom espiritual sem institucionaliza-lo, permitindo ainda que o
espectador, além de sentir prazer em assistir ao filme, também reflita sobre
aquilo que está vendo. E o que se está vendo é o conflito do indivíduo autônomo
que a contemporaneidade exige de cada um e suas tradições milenares.
Quem fala sobre isso é o crítico e cineasta francês François
Truffault, no artigo “Proporcionar prazer, ou o prazer do cinema”. Aqui o
francês observa que o cinema só é grande quando consegue apoiar-se na
realidade, o que a torna flexível também, apesar de toda e qualquer
imprevisibilidade da vida real. É isso que acaba “estabelecendo os elementos de
uma mitologia de imagens”.
A história do filme é a seguinte: dois monges vivem
isoladamente em um templo budista flutuante rodeado por um belo lado em meio a
montanhas – o templo foi construído exclusivamente para o filme, o que revela
uma tendência empreendedora na produção cinematográfica coreana.
A ruptura surge quando o monge mais novo se apaixona por uma
mulher e deixa o templo.Com a passagem de tempo, o monge volta para se esconder
de um crime que cometeu. Segue daí pra frente, o conflito interior do ex-monge,
e o esforço do monge mais velho pela “vitória” da tradição em detrimento da
autonomia da vida moderna.
Inteligente, o filme não abusa de diálogos desnecessários,
ao contrário, eles quase não existem. Cada plano filmado provoca o desenrolar
da narrativa. A câmera de Ki-Duk neste
filme será lembrada por todos que o assistem. Ela reforça a poesia de um cinema
de reflexão, mas antes de contemplação. As cenas longas, pausadas e os muitos
planos gerais dos cenários naturais reforçam a metáfora da vida, que aqui se
apresenta pela passagem das quatro estações. A natureza é a personagem
principal, e a água, o fio condutor da história.
Ficha Técnica Primavera, Verão, Outono, Inverno,
Primavera...
Título
Original: Spring, Summer, Autumn, Winter...and Spring
Direção, roteiro, edição: Kim Ki-DukPaís de origem: Coréia do Sul, 2003
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1 Comentario
1"Dica!" Cara Calina! Sem dúvida esse filme é sensacional. Não vou gastar linhas e linhas criticando pois não há necessidade, fica meio cnasativo e nem sempre a gente explica direitinho o que sente nessas linhas no monitor. Se quiser um dia bater um papinho tomando um chop podemos filosofar sem pressa mais a vontade! Um conselho? Assista o filme argentino "Un Buda"...não sei exatamente o ano, 2006 ou 2007, mas não deve ser difícil se informar dando uma olhada no imdb.com... Depois, se puder, você me diz o que achou. Proposta diferente, mas a profundidade é a mesma. Parabéns pela matéria! Chero!
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