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O EXAME MÉDICO DA TRAIÇÃO PDF Imprimir E-mail
Escrito por J.Lacoli   
01-Jun-2008
Esse é um caso muito engraçado que ocorreu em Ituberá, no litoral sul da Bahia, envolvendo Martiniano Ferreira e sua dedicada esposa Flora.

Martiniano era ruralista, trabalhava na plantação de dendezeiros do grupo Matarazzo, na propriedade Boca da Lagoa, em Barra de Serinhaem, aprazível fazenda, cuja sede ficava à beira-mar, praias desabitadas de águas azuis cristalinas, verdadeiro paraíso.

Ali a empresa mantinha uma grande plantação de dendezeiros, era pioneira na Bahia, visava à extração do óleo na fábrica em Ituberá, cujo produto destinava-se as suas fábricas em São Paulo para a fabricação de sabonetes, velas e margarinas. Era um plano ambicioso e inovador, técnicos experientes e renomados vieram da Holanda para tocar o projeto do plantio e extração do óleo.

Na fazenda em Serinhaém a empresa construira uma Vila Operária, com escritório, laboratório, armazéns, oficina mecânica, galpões e mais de cinqüenta casas para os operários casados e alojamento para os solteiros, mão de obra braçal recrutada em todos os lugarejos do município, formando as equipes de trabalho espalhadas nos cinco mil hectares da propriedade. Martiniano e Flora pareciam descendentes de europeus, eram loiros, de olhos azuis, de média altura. Flora, com traços diferentes, era uma mulher bonita, contrastava com os demais moradores, pois eram em grande maioria negros e mulatos, entre eles muitos pescadores.

A vida em vila operária, longe da cidade, como todos sabem, é de trabalho árduo, começando pelas cinco horas da manhã, os veículos e tratores levando o pessoal para o campo. A diversão limitava-se nos fins de semana a jogos de futebol e a freqüência dos moradores no clube improvisado para as cantorias, danças e aperitivos, até que as luzes do gerador fossem apagadas por volta de meia noite. Depois de alguns anos, começaram a surgir fofocas de que a Flora estava pulando a cerca, isto é transando com alguns mulatos mecânicos e tratoristas, sempre na ausência de Martiniano, trepando à beira mar sob o luar ou debaixo das palmeiras dos dendezais.

Essa disputa amorosa transformou-se rapidamente em fofocas, conversas ao pé do ouvido, o casal era visto no grupo sob suspeita. Nesse meio tempo, a Flora ficou doente, com febre alta, sendo necessário a sua ida para Ituberá, na lancha da empresa, acompanhada do marido.

O eficiente médico da empresa Dr. Antonio, também prefeito da cidade, naquela semana estava em Salvador, não podendo atender a paciente da empresa. Então o casal foi socorrido pelo doutor Palmare, no hospital da Firestone, grupo americano, o mais equipado da região, que também atendia, além dos seus dois mil empregados que trabalhavam na sua plantação de seringueiras, distante vinte quilômetros de Ituberá, já no município de Igrapiuna.

O doutor Palmare era um médico paulista, com estágios nos Estados Unidos, falava muito bem inglês, fora selecionado pela sua competência. Alto, cabelos castanhos, olhos azuis, era corpulento, atlético, usava óculos de grau, quando falava parecia um trovão. Era querido, comandava sozinho o hospital, atendia a todo o tipo de emergência.

Em companhia de Martiniano, Flora naquela tarde foi atendida pelo doutor Palmare que após examiná-la constatou o estado lastimável da sua vagina, a senhora Flora era portadora de blenorragia (gonorréia) doença contagiosa da época, a calçinha que usava estava ensopada de corrimento. O doutor Palmare ficou indignado, estava a tempo de explodir, convidando o esposo Martiniano para que visse o estado da sua senhora. E recomendou:

- Senhor Martiniano, estou receitando quinze injeções de Bezetacil K, o antibiótico salvador, para que fosse aplicado diariamente, cuja dosagem deveria curar a gonorréia de sua esposa.

Advertiu também: - Nesse período o senhor está proibido de fazer sexo com a sua mulher e deverá voltar para novo exame dentro de mais quinze dias.

Chegada à data do reexame, Martiniano retornou com a esposa Flora para reexame do doutor Palmare que o cumprimentou e deixou-o esperando na ante sala do gabinete. Despiu a paciente e ao examiná-la verificou que o seu estado era deplorável, muito pior do que no primeiro exame. Então o doutor Palmare perdeu a paciência e puxando aos gritos Martiniano para o consultório foi logo dizendo:

- O senhor é um criminoso, deveria sair preso do meu consultório.  Eu lhe recomendei, mais de uma vez, que não trepasse a sua mulher e veja a miséria que o senhor fez.

- Martiniano assustou-se com os gritos e acusações do médico, olhou desconfiado para a Flora, com cara de sem vergonha e cínica e então desabafou:

- Doutor Palmare, juro, por todos os santos, que não trepei (expressão da época) com a minha mulher. E repetiu: Eu juro pelo que estou valando.

- O doutor Palmare, irritado e já sem paciência, olhando para ambos, disse em voz alta: Se o senhor não comeu a sua mulher, tudo bem. Mas posso lhe afirmar que alguém a trepou durante esse tempo.

E completou: - Então o senhor é um Côrno!
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