Conversamos com o escritor baiano Ricardo Cury, que deixou as baquetas de lado e pois a escrever crônicas e causos em seu primeiro livro chamado "Para colorir", lançado recentemente de forma independente. São mais de trezentas páginas onde ele retrata de forma idiossincrática seu viver no rock, na sua cidade e com seus amigos. Num linguajar simples com bastante humor, universaliza o contexto particular, tornando a sua obra interessante para todos. Cury, como é mais conhecido, tocou em bandas soteropolitanas significantes nos anos 90 - Dinky-Dau, Jupiterscope e brincando de deus - e mais recente com o projeto ZecaCuryDamm. Ele deixa bem claro que não se trata de um livro sobre a cena rock local: "eu não falo sobre a cena, ela apenas está inserida nas minhas histórias..."
O livro já atriu a atenção da mídia especializada do país. Para quem estiver interessado em comprar o livro ou obter qualquer informação, tratar com o mesmo nos endereços no final dessa entrevista.
Qual a sua melhor apresentação do livro para aqueles que ainda não o leram?
É um livro de crônicas independentes umas das outras, porém em uma ordem que, lendo do inicio ao fim, conta uma história. Começa com uma crônica de quando eu ganhei minha primeira bateria e termina com outra da minha saída do meu ultimo projeto musical e, consequentemente, a produção do livro. O livro então viaja na coisa de ter banda de rock em Salvador, dos perrengues, as bandas, as alegrias, e, adjacentes a isso, histórias minhas sobre outros temas como futebol, viagens... mas sempre com a música e o rock permeando esse universo.
O que especificamente o levou a escrever e lançar o livro?
Um conjunto de fatores. A minha última banda foi um projeto que iniciei e que investi muito. Tanto tempo como dinheiro. E a coisa parecia que iria dar certo, mas desandou e eu saí. Então, depois de 20 anos de rock, aos 28 resolvi desistir de vez. Como eu já tinha 120 crônicas escritas, que escrevo desde 2005, achei que se eu tinha de fazer alguma coisa que fosse autentica, a coisa que eu tinha mais autoridade pra fazer era publicar sobre o que vi e vivi.
O que é melhor: ser baterista ou ser escritor?
Tocar bateria em uma música que você ajudou a compor e que você gosta muito é algo que só deva ser comparado ao que o baixista, o guitarrista e todos os outros integrantes de sua banda sentem.
Mas ser escritor também é massa. Ainda mais se a bateria estiver no tema.
Voce tocou em alguns grupos significantes (brincando de deus, Dinky Dau, Jupiterscope e ZecaCuryDamm). Como voce avalia o cenário rock baiano dos anos 90 para os atuais?
Nem melhor nem pior, apenas diferente. Naquela época, 500 pagantes era fracasso de público, contradizendo os dias atuais, que 500 é quase impossível, até pela falta de espaço, ao mesmo tempo que hoje a qualidade de gravação é bem melhor, assim como a divulgação é mais fácil.
Sobre a qualidade musical, desde os 90 que convivo com pessoas de incrível talento. Em todos os momentos o rock baiano teve bandas fantásticas, incríveis... Acredito que sempre será assim.
Quem são seus escritores favoritos?
Os que me influenciaram muito e diretamente são Maurício de Souza, Ziraldo, Quino, Woody Allen, Fernando Gonsales, Mario Prata, Rosa Montero, Noah Gordon, Julio Verne e os dois Verissímos.
Quando teve inicio o seu gosto por escrever, veio antes da música?
A escrita veio na sexta série, com 12 anos, quando a minha professora de redação pediu uma descrição de algum evento (férias, fim de semana) e, quando ela me entregou a prova, me chamou na sala dela querendo saber, preocupada, se aquilo que eu pensava e escrevi era verdade, pois, segundo ela, eu podia estar precisando de terapia.
A música e o rock vieram aos 8 anos. Em uma festa vi um amigo tocando bateria invisível, só movimentando dos braços. E ele estava no ritmo certinho. Quando olhei aquilo pensei "é isso que vou fazer". A música que tocava era Radio Pirata, do RPM.
O livro é uma publicação independente, com uma tiragem pequena. Voce esperava por uma boa repercussão?
Rapaz, 1000 exemplares não é tiragem pequena. Preciso vender cerca de 750 livros para que ele se banque financeiramente, já estou perto dos 450 livros vendidos. A repercussão está sendo muito interessante, principalmente pela procura de um fulano que viu o livro na casa de um amigo meu que foi no lançamento e comprou... Outra coisa que me anima é que recebo muitas mensagens de amigos dizendo que os pais estão lendo, além de resenhas em blogs e portais espalhados pela internet.
O que eu esperava era vender o livro para os amigos... o resto é com o livro.
Quais são seus planos futuros em relação ao livro e à música?
Com o livro, pretendo que ele tenha uma segunda edição e se for por alguma editora, melhor ainda. Também estou usando ele como uma espécie de portifólio de luxo e tenho conseguido alguns trabalhos como escritor com isso, que é uma das reais funções técnicas do livro comigo.
Também pretendo escrever outros, futuramente...
E a música continua. Sempre estarei ouvindo e escrevendo com música... Estava tocando com uma banda daqui, porém como músico contratado, era uma banda de amigos, acabaram de gravar um disco, Aguarraz o nome, mas eu me desliguei e estou sem banda.
Tocar é uma coisa que, nesse momento, não quero.
Site: www.ricardocury.blogspot.com
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1 Comentario
1"escrevendo sob o rock" Parabéns Lado Norte e Olga Costa e Jesuino de Oliveira, pela iniciativa e entrevista com Cury. É um escritor extremamente sensível e habilidoso para com o mundo à sul volta. Realmente admirável. Uma inteligente entrevista. Leiam Para Colorir de Ricardo Cury. A vida está ali!
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