| SeuZé das terras do sol |
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| Escrito por Hugo Morais | |
| 26-Mai-2008 | |
O Seu Zé está
na ativa desde 2003, cria dos amigos Fell (guitarra e voz) e Lipe(baixo
e voz) companheiros na banda República 5. Escalaram Augusto (guitarra)
e Xandi (bateria) para completar o quarteto e partiram para formar uma
das bandas mais completas de Natal. Muitos torcem o nariz para o estilo
carregado de nordestinidade da banda, coisa já superada segundo Lipe.
Já outros torcem o nariz para o fato deles serem muito profissionais.
Como se isso fosse problema. É por essas e por outras que a banda tem
um grande público em Natal que em todo show canta junto com a banda e
até faz brinde com "Sai Galada". Se muitas bandas querem tocar, eles
querem fazer show, espetáculo, por isso investem em figurino e até em
shows teatrais. Confira a entrevista com Lipe e Fell.
No
show na Casa da Ribeira, no Warm Up, foi o primeiro show que vi de
vocês há muito tempo. Vi os novos equipamentos. Como eles vem ajudando
a banda? Percebi nesse trabalho recente um, digamos, amadurecimento. As temáticas regionais ficaram de lado e até as influências musicais ficaram mais abrangentes. É isso mesmo? Essa questão da nordestinidade no SeuZé é um assunto bem complicado. Essa foi uma identidade que a gente buscou e criou no começo da banda. No começo de 2003, quando tivemos as primeiras reuniões para pensar na parte conceitual, sobre que imagem queríamos passar com o SeuZé. Achamos que a mais adequada para aquele momento seria a regional nordestina, com toda a simbologia que essa expressão traz: sertão, seca, forró, xote. Na realidade, quando eu e FeLL convidamos Augusto e Xandi para montar a banda, estávamos viciados no 2º disco do Jorge Cabeleira (e o Dia em que Seremos Todos Inúteis - Vendem-se Asas para o Carnaval); na mistura de blues e rock com os tais "ritmos regionais" que eles faziam. Entregamos esse disco para os dois e dissemos: "é mais ou menos isso o que queremos fazer". E de fato, as primeiras canções que compusemos estavam inseridas nesse contexto. Aí, nesse momento inicial, todo o conceito da banda foi pensado nesse sentido. Procuramos um nome que de alguma maneira remetesse a essa regionalidade; com a logomarca da banda idem; os figurinos dos primeiros shows, também. Mas, quando continuamos o processo de composição, as músicas que foram surgindo nada tinham a ver com aquela imagem que tínhamos buscado construir conscientemente e que já estava consolidada. O resultado: éramos entendidos como uma banda que expressava a "nordestinidade"e gravamos um disco, que pelo menos em 50% das suas canções, não tinha nada a ver com essa idéia de Nordeste seco, pobre e faminto, não se inserindo em nenhum tipo de regionalismo. As músicas do novo disco podem surpreender muita gente que está esperando aquele SeuZé nordestino que, na verdade, nunca foi essa unanimidade toda. Dá para linkar, sem muito esforço, as músicas desse novo trabalho com as do primeiro disco que não estão inseridas, nem tratam de temáticas ditas regionais. O Seu Zé é uma das bandas que tem o público mais heterogêneo. A quê vocês devem isso? A gente sempre teve a preocupação de circular pelos palcos mais distintos possíveis. Nossos primeiros shows relevantes aconteceram em calouradas e outros eventos da UFRN. Isso em 2003 e 2004. Como tivemos uma boa aceitação, identificamos que o público universitário era o nosso público alvo. Já fizemos alguns shows memoráveis por lá. Há uns dois meses, depois de um bom tempo sem tocar por lá, fizemos um show numa calourada de Artes. Foi uma loucura! Mas, sempre tentamos desenvolver outros projetos e parcerias que nos permitissem não ficar presos ao circuito dos bares e festivais da cidade. Desde 2005 que participamos, junto do CIS, um curso isolado de História aqui de Natal, de um aulão temático para alunos de cursinho e pré-vestibular. Eu e Xandi temos formação na área de História. Os professores do cursinho preparam o roteiro da aula e a gente escolhe canções para relacionar com os conteúdos abordados. Uma idéia que parece simples e restrita, potencializou o nosso público nessa faixa etária. A cada ano participamos de pelo menos 2 aulões desses. Cada um com um público entre 600 e 700 pessoas. Essa meninada não costuma freqüentar os bares nos quais a gente costuma tocar à noite e de madrugada, mas está lá no site baixando as músicas, repassando para os amigos, comentando no Orkut da banda. Também temos uma aceitação legal de um público mais velho, com mais de 35 anos. Não sei se isso é decorrente do lado cênico que temos nos shows ao vivo. Talvez seja o fato de, na nossa música, haver elementos do que convencionou chamar de MPB. Não sei. Isso é assunto para um estudo antropológico. O fato é que a gente tem uma posição consciente em relação a isso. Se vamos nos apresentar em um lugar que a grande maioria do público presente será mais velho, buscaremos nas nossas canções as que mais se adeqüem a essa ocasião. Para encerrar, muitas bandas mais antigas estão mais paradas e estão surgindo outras mais novas preocupadas em fazer coisas diferentes. Vocês acham que a produção de rock natalense está evoluindo? Eu não sei bem se trata-se de uma evolução. Para ser sincero, eu busco sempre acompanhar as bandas novas que vão surgindo por aqui e não vejo ninguém fazendo algo realmente diferente. Relevante sim, mas diferente não. Temos sim algumas bandas novas muito boas que começaram a aparecer por aqui nos últimos dois anos, ou de um ano para cá, como o Lunares e o Bandini. Se situarmos essas bandas em Natal, elas estão realmente fazendo uma coisa diferente do que costuma se ouvir por aqui. Mas, com a forma de divulgação atual, concentrada basicamente na Internet, não dá para conceber uma banda pensando nas fronteiras da sua cidade de origem. Resumindo e continuando nos exemplos que estou usando, não é todo mundo aqui em Natal que vai reconhecer a influência do Interpol no Bandini e do Coldplay e outros artistas ingleses mais recentes, no Lunares. Não quero dizer que essas bandas são apenas isso. Mas se as situarmos num cenário mais amplo, que é a lógica da internet, vamos ver que a representatividade delas, em temos de inovação é bem maior aqui do que fora. De toda forma, é muito bom ver bandas novas como Lunares, Bandini, DOMBEN e Eletrobilhar aparecerem. É legal para a cidade como um todo, para os festivais, e para o público.. Há uns 3 anos atrás, muita gente devia não agüentar mais ver os nomes de SeuZé, Jane Fonda, Zero8Quatro, Bugs e Bonnies nas listas dos festivais locais e dos bares da cidade. Hugo Morais é editor do site potiguar "Bem-vindo, Boa viagem", http://www.bemvindoboaviagem (SeuZé tem um Single virtual lançado no netlabel Ladonorte-Musicland Records. Confira em nosso site!) »
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