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Respeitável público, com vocês, o circo na Paraíba! PDF Imprimir E-mail
Escrito por Calina Bispo   
20-Mai-2008
dioni.jpgQuem nunca foi a um circo na vida? Quem, muitas vezes, nunca encarou o circo apenas como um entretenimento ou um lugar para distrair a criançada da família? Por trás da habitual "imagem" que temos dessa arte, existe um verdadeiro casting de profissionais, pesquisadores e historiadores que investigam em torno do tema há pelo menos três séculos.
Acostumados que estamos com as discussões teóricas em torno do teatro, o circo muitas vezes nos parece apenas uma forma de divertimento onde a única razão de ser é fazer "surgir a criança" que há em cada um de nós.

Sem pretensão de esgotar o assunto, a entrevista desta semana é com o jovem Diocélio Barbosa. Sim, mas quem?! Pois é...Diocélio Barbosa é natural de João Pessoa e vem fazendo do circo uma profissão para si e para outras pessoas.

Por email, Diocélio, que é ator, circense, oficineiro, produtor e arte-educador, falou sobre os principais equívocos sobre a compreensão do que venha a ser circo em nossa contemporaneidade e também nos revela as dificuldades em torno de um assunto que muitas vezes passa despercebido entre os críticos das artes cênicas.

Aos 18 anos de idade (1998), Diocélio iniciou sua carreira teatral em um grupo de teatro religioso amador no bairro em que mora. Em 1999 fez seu primeiro Curso de Iniciação Teatral no Sesc PB. No ano seguinte deu início a sua carreira profissional ao integrar o Grupo de teatro de rua e circo "Quem Tem Boca É Pra Gritar".

Em 2001 ingressou na Universidade Federal da Paraíba, na qual é Licenciado em Educação Artística com habilitação em Artes Cênicas. Participou em 2002 junto com mais dois atores, da fundação da Cia. de Teatro-Circo Lua Crescente, que permanece em atividade até hoje.

Entre 2002 e 2004 participou de importantes projetos de extensão e pesquisa pela UFPB, intitulados respectivamente de "O Circo na Escola" pelo PROBEX e "Dramaturgia Circense" pelo CNPq.

Em 2007 participou de um intercâmbio de três meses no Rio de Janeiro, onde integrou a turma de reciclagem da Escola Nacional de Circo, participando de oficinas junto ao Grupo de Pesquisa Aérea da Fundação Progresso e o Núcleo de Ginástica Olímpica da UERJ, onde se especializou em acrobacia aérea e de solo respectivamente. Neste mesmo ano, foi o único paraibano que participou da abertura dos Jogos Pan-americanos no Maracanã.

Depois disso, criou o Grupo de Pesquisa Aérea, destinada a elaboração de uma linha de estudo que caracterize pela busca de uma interpretação em aparelhos aéreos circenses. Desse trabalho, como resultado, Diocélio foi eleito Presidente do Fórum Paraibano de Circo.

 
CALINA BISPO - Pelo pouco que acompanho aqui na Paraíba, a Cia. de Teatro-Circo Lua Crescente é uma das raras Cia. de artes cênicas que se dedica a pesquisa de prática circense. Fale sobre isso...
DIOCÉLIO BARBOSA - Sim. Em João Pessoa e na Paraíba atualmente somos a única companhia que tem em seus trabalhos uma busca pela união das artes circenses com a teatral, como forma de pesquisa, estudo e prática através de espetáculos e oficinas.

 
CB – Quem trabalha a prática circense na Paraíba?
DB - Fazendo um breve panorama do município de João Pessoa temos uma escola de circo – Espaço Lua Crescente, dois circos sociais – O Circo Municipal e o do Centro Cultural Piollin, um Fórum Paraibano de Circo, uma Cia. de Teatro-Circo Lua Crescente, um Núcleo de Pesquisa Aérea, circos itinerantes e artistas que praticam circo.


CB - Qual o maior equívoco em relação ao circo no Brasil?
DB - Seria o uso do termo "Novo Circo". Atualmente se emprega esse termo aos circos que usam e abusam de tecnologias, teatro, música e dança em um só espetáculo, para designar de uma maneira errônea um circo novo. Mas que na verdade não se tem nada de novo, pois essa estética já existia a muito tempo atrás, a exemplo do Circo de Roma, um circo constituído de variedades, e tantos outros, que uniam diversas formas de fazer artístico em um só picadeiro. O termo "Novo Circo" traz a idéia de um circo que morreu e um outro que nasceu, na verdade, o que se tem hoje é um circo contemporâneo que acompanha as inovações da humanidade em seus espetáculos, não que o circo tradicional não acompanhe, mas esses muitas vezes não abrem mão da essência tradicional do fazer circense passado oralmente de pai para filho durante várias gerações.


CB - Na Paraíba, onde todas as atenções estão muitas vezes voltadas para o teatro, depois a dança. Como fica o Circo?
DB - Nas margens. Quando vejo pessoas de representações artísticas da cidade lembrar ou falarem do circo como uma arte mágica, fico encantado, mas ao mesmo tempo em que essas mesmas pessoas não contribuem para o crescimento dessa atividade na Paraíba o encanto cai por terra. Acredito que devemos ter mais que lembranças e nostalgia. Temos que vivenciá-las, trazendo os circenses tradicionais que vivem na periferia para dentro de nossas programações culturais da cidade e até do Estado.


CB - Há crítica e estudos teóricos focados no Circo?

DB - Há, e como há! O problema é que o acesso é dificultoso. Na Paraíba então! Nem se fala! Há vários pesquisadores no Brasil, que se dedicam a valorizar a memória da arte circense, a exemplo de três mulheres que lançaram nos últimos anos livros que são verdadeiras relíquias do imaginário circense, como: Ermínia Silva com seu – Circo -Teatro Benjamim de Oliveira e a Teatralidade Circenses no Brasil; Alice Viveiros de Castro com o Elogio da Bobagem e finalmente Verônica Tamaoki com Circo Nerino. Há uma página na internet que traz várias informações a respeito dessas pesquisas e de outros estudos.  (www.pindoramacircus.com.br).

 
CB - Quanto ao mercado e à formação do ator circense. Como isso acontece aqui na Paraíba e de que forma esses profissionais podem ser inseridos nacionalmente?

DB - Bom. A formação circense aqui na Paraíba se dá através de cursos de profissionais da área. Aqui em João Pessoa a Cia. Lua Crescente recentemente abriu o seu Espaço Lua Crescente, dedicado à prática de atividades artísticas inicialmente voltadas para a formação circense. Como única escola de circo em João Pessoa, temos a preocupação de repassar tudo o que aprendemos, com o objetivo de multiplicar artistas e apreciadores dessa arte. O Mercado aqui na Paraíba se dá através de animações de eventos, ou contratos temporários em circos que estão de passagem pela cidade. Os profissionais são inseridos nacionalmente através da participação em festivais nacionais, como é o caso da Cia. Lua Crescente que já representou a Paraíba em festivais em Pernambuco, Ceará e Bahia, ou saindo do Estado a trabalho, a exemplo de ex-alunos do antigo Circo Pirilampo, que hoje se encontram na cidade de Curitiba.


CB - Cirque du Soleil e Beto Carreiro World. Circo ou empresa?
DB - Acredito que os dois. Quando se tem um circo preocupado com uma estética que agrade tanto ao público como ao artista, e que valorizam tanto os circenses como a arte em si, em termos histórico e financeiro, não tem como separar as denominações.


CB - Como a Lua Crescente começou e o que ela pretende aqui em João Pessoa em relação às pesquisas e montagens?

DB - Eu, Cristina Medeiros e Flávia Guedine decidimos fundar uma Cia. que tivesse em sua essência tanto a linguagem circense como a teatral. No início a dedicação é para a prática de performances, em uma busca incessante de uma identidade. Em 2003 quando a Cia. participou de seu 1º Festival Nacional,  FENART, esteve estreando seu primeiro experimento, A Teia, uma performance que viria confirmar os ideais da Cia. Hoje A Cia. possui uma vida ativa, através da regularidade do repasse das suas experiências através do repertório de suas oficinas: O Ator e o Circo, Acrobacias no Ar, Técnicas do Picadeiro, Hoje Tem Espetáculo? e Interpretando nas Alturas. Nosso repertório de espetáculos é formado por Magia (2004), Circo Lua Crescente (2005), Quem Casa Quer Lona (2007) e  para o segundo semestre de 2008 realizaremos o Encontro de Circo-Teatro Lua Crescente, o qual já iniciamos a produção e estamos a procura de patrocinadores para a realização do evento.
» 3 Comentarios
1"local da escola" de elyda em 26 de outubro de 2008 20:36
Olá!!! gostaria de saber onde fica essa escola na PB.. moro aqui na PB,e tenho interesse de conhecer mais sobre arte circense... 
espero resposta..Deus abençoe voces,Obrigado
2"resposta" de Calina em 27 de outubro de 2008 12:06
Olá Elyda! Te passo o endereço e os contatos da Lua Crescente. 
SEDE: ESPAÇO LUA CRESCENTE 
AV. JOSÉ LIBERATO, 44 - MIRAMAR 
 
CONtATO: (83) 8730-8183 / 8837-7578 / 8813-9449 / 8805-9609 
SITE: www.cialuacrescente.com.br 
E-MAIL OFICIAL DA CIA.: lua@cialuacrescente.com.br
3"aulas de circo" de Eliane em 05 de novembro de 2008 08:17
Boa noite! 
Moro em São Paulo, mas estou de mudança para João Pessoa e como meus filhos fazem aula de circo aqui, na Academia Brasileira de circo - Circo Espacial, gostaria de saber se em João Pessoa tem alguma escola ou curso de circo. 
 
Aguardo um retorno. 
 
Obrigada, 
 
Eliane
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