Quem nunca foi a um circo na vida? Quem, muitas vezes, nunca encarou o circo apenas como um entretenimento ou um lugar para distrair a criançada da família? Por trás da habitual "imagem" que temos dessa arte, existe um verdadeiro casting de profissionais, pesquisadores e historiadores que investigam em torno do tema há pelo menos três séculos.
Acostumados que
estamos com as discussões teóricas em torno do teatro, o circo muitas
vezes nos parece apenas uma forma de divertimento onde a única razão de
ser é fazer "surgir a criança" que há em cada um de nós.
Sem pretensão de esgotar o assunto, a entrevista desta semana é com o
jovem Diocélio Barbosa. Sim, mas quem?! Pois é...Diocélio Barbosa é
natural de João Pessoa e vem fazendo do circo uma profissão para si e
para outras pessoas.
Por email, Diocélio, que é ator, circense, oficineiro, produtor e
arte-educador, falou sobre os principais equívocos sobre a compreensão
do que venha a ser circo em nossa contemporaneidade e também nos revela
as dificuldades em torno de um assunto que muitas vezes passa
despercebido entre os críticos das artes cênicas.
Aos 18 anos de idade (1998), Diocélio iniciou sua carreira teatral em
um grupo de teatro religioso amador no bairro em que mora. Em 1999 fez
seu primeiro Curso de Iniciação Teatral no Sesc PB. No ano seguinte deu
início a sua carreira profissional ao integrar o Grupo de teatro de rua
e circo "Quem Tem Boca É Pra Gritar".
Em 2001 ingressou na Universidade Federal da Paraíba, na qual é
Licenciado em Educação Artística com habilitação em Artes Cênicas.
Participou em 2002 junto com mais dois atores, da fundação da Cia. de
Teatro-Circo Lua Crescente, que permanece em atividade até hoje.
Entre 2002 e 2004 participou de importantes projetos de extensão e
pesquisa pela UFPB, intitulados respectivamente de "O Circo na Escola"
pelo PROBEX e "Dramaturgia Circense" pelo CNPq.
Em 2007 participou de um intercâmbio de três meses no Rio de Janeiro,
onde integrou a turma de reciclagem da Escola Nacional de Circo,
participando de oficinas junto ao Grupo de Pesquisa Aérea da Fundação
Progresso e o Núcleo de Ginástica Olímpica da UERJ, onde se
especializou em acrobacia aérea e de solo respectivamente. Neste mesmo
ano, foi o único paraibano que participou da abertura dos Jogos
Pan-americanos no Maracanã.
Depois disso, criou o Grupo de Pesquisa Aérea, destinada a elaboração
de uma linha de estudo que caracterize pela busca de uma interpretação
em aparelhos aéreos circenses. Desse trabalho, como resultado, Diocélio
foi eleito Presidente do Fórum Paraibano de Circo.
CALINA BISPO - Pelo pouco que acompanho aqui na Paraíba, a Cia. de
Teatro-Circo Lua Crescente é uma das raras Cia. de artes cênicas que se
dedica a pesquisa de prática circense. Fale sobre isso...
DIOCÉLIO BARBOSA - Sim. Em João Pessoa e na Paraíba atualmente somos a
única companhia que tem em seus trabalhos uma busca pela união das
artes circenses com a teatral, como forma de pesquisa, estudo e prática
através de espetáculos e oficinas.
CB – Quem trabalha a prática circense na Paraíba?
DB - Fazendo um breve panorama do município de João Pessoa temos uma
escola de circo – Espaço Lua Crescente, dois circos sociais – O Circo
Municipal e o do Centro Cultural Piollin, um Fórum Paraibano de Circo,
uma Cia. de Teatro-Circo Lua Crescente, um Núcleo de Pesquisa Aérea,
circos itinerantes e artistas que praticam circo.
CB - Qual o maior equívoco em relação ao circo no Brasil?
DB - Seria o uso do termo "Novo Circo". Atualmente se emprega esse
termo aos circos que usam e abusam de tecnologias, teatro, música e
dança em um só espetáculo, para designar de uma maneira errônea um
circo novo. Mas que na verdade não se tem nada de novo, pois essa
estética já existia a muito tempo atrás, a exemplo do Circo de Roma, um
circo constituído de variedades, e tantos outros, que uniam diversas
formas de fazer artístico em um só picadeiro. O termo "Novo Circo" traz
a idéia de um circo que morreu e um outro que nasceu, na verdade, o que
se tem hoje é um circo contemporâneo que acompanha as inovações da
humanidade em seus espetáculos, não que o circo tradicional não
acompanhe, mas esses muitas vezes não abrem mão da essência tradicional
do fazer circense passado oralmente de pai para filho durante várias
gerações.
CB - Na Paraíba, onde todas as atenções estão muitas vezes voltadas para o teatro, depois a dança. Como fica o Circo?
DB - Nas margens. Quando vejo pessoas de representações artísticas da
cidade lembrar ou falarem do circo como uma arte mágica, fico
encantado, mas ao mesmo tempo em que essas mesmas pessoas não
contribuem para o crescimento dessa atividade na Paraíba o encanto cai
por terra. Acredito que devemos ter mais que lembranças e nostalgia.
Temos que vivenciá-las, trazendo os circenses tradicionais que vivem na
periferia para dentro de nossas programações culturais da cidade e até
do Estado.
CB - Há crítica e estudos teóricos focados no Circo?
DB - Há, e como há! O problema é que o acesso é dificultoso. Na Paraíba
então! Nem se fala! Há vários pesquisadores no Brasil, que se dedicam a
valorizar a memória da arte circense, a exemplo de três mulheres que
lançaram nos últimos anos livros que são verdadeiras relíquias do
imaginário circense, como: Ermínia Silva com seu – Circo -Teatro
Benjamim de Oliveira e a Teatralidade Circenses no Brasil; Alice
Viveiros de Castro com o Elogio da Bobagem e finalmente Verônica
Tamaoki com Circo Nerino. Há uma página na internet que traz várias
informações a respeito dessas pesquisas e de outros estudos.
(www.pindoramacircus.com.br).
CB - Quanto ao mercado e à formação do ator circense. Como isso
acontece aqui na Paraíba e de que forma esses profissionais podem ser
inseridos nacionalmente?
DB - Bom. A formação circense aqui na Paraíba se dá através de cursos
de profissionais da área. Aqui em João Pessoa a Cia. Lua Crescente
recentemente abriu o seu Espaço Lua Crescente, dedicado à prática de
atividades artísticas inicialmente voltadas para a formação circense.
Como única escola de circo em João Pessoa, temos a preocupação de
repassar tudo o que aprendemos, com o objetivo de multiplicar artistas
e apreciadores dessa arte. O Mercado aqui na Paraíba se dá através de
animações de eventos, ou contratos temporários em circos que estão de
passagem pela cidade. Os profissionais são inseridos nacionalmente
através da participação em festivais nacionais, como é o caso da Cia.
Lua Crescente que já representou a Paraíba em festivais em Pernambuco,
Ceará e Bahia, ou saindo do Estado a trabalho, a exemplo de ex-alunos
do antigo Circo Pirilampo, que hoje se encontram na cidade de Curitiba.
CB - Cirque du Soleil e Beto Carreiro World. Circo ou empresa?
DB - Acredito que os dois. Quando se tem um circo preocupado com uma
estética que agrade tanto ao público como ao artista, e que valorizam
tanto os circenses como a arte em si, em termos histórico e financeiro,
não tem como separar as denominações.
CB - Como a Lua Crescente começou e o que ela pretende aqui em João Pessoa em relação às pesquisas e montagens?
DB - Eu, Cristina Medeiros e Flávia Guedine decidimos fundar uma Cia.
que tivesse em sua essência tanto a linguagem circense como a teatral.
No início a dedicação é para a prática de performances, em uma busca
incessante de uma identidade. Em 2003 quando a Cia. participou de seu
1º Festival Nacional, FENART, esteve estreando seu primeiro
experimento, A Teia, uma performance que viria confirmar os ideais da
Cia. Hoje A Cia. possui uma vida ativa, através da regularidade do
repasse das suas experiências através do repertório de suas oficinas: O
Ator e o Circo, Acrobacias no Ar, Técnicas do Picadeiro, Hoje Tem
Espetáculo? e Interpretando nas Alturas. Nosso repertório de
espetáculos é formado por Magia (2004), Circo Lua Crescente (2005),
Quem Casa Quer Lona (2007) e para o segundo semestre de 2008
realizaremos o Encontro de Circo-Teatro Lua Crescente, o qual já
iniciamos a produção e estamos a procura de patrocinadores para a
realização do evento.
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3 Comentarios
1"local da escola" Olá!!! gostaria de saber onde fica essa escola na PB.. moro aqui na PB,e tenho interesse de conhecer mais sobre arte circense... espero resposta..Deus abençoe voces,Obrigado
2"resposta" Olá Elyda! Te passo o endereço e os contatos da Lua Crescente. SEDE: ESPAÇO LUA CRESCENTE AV. JOSÉ LIBERATO, 44 - MIRAMAR CONtATO: (83) 8730-8183 / 8837-7578 / 8813-9449 / 8805-9609 SITE: www.cialuacrescente.com.br E-MAIL OFICIAL DA CIA.: lua@cialuacrescente.com.br
3"aulas de circo" Boa noite! Moro em São Paulo, mas estou de mudança para João Pessoa e como meus filhos fazem aula de circo aqui, na Academia Brasileira de circo - Circo Espacial, gostaria de saber se em João Pessoa tem alguma escola ou curso de circo. Aguardo um retorno. Obrigada, Eliane
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