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Calma, calma, CACUÁ! PDF Imprimir E-mail
Escrito por J. Lacoli   
14-Mai-2008
Há fatos engraçados em nossas vidas, que servem de lições, não só no momento de sua ocorrência, mas principalmente com o passar do tempo. Alguns desses fatos, como o do Cacuá, datam mais de trinta anos, mas que me vem sempre à memória quando penso em Ituberá, uma sofrida região do Baixo Sul da Bahia, hoje o centro comercial de várias propriedades agrícolas situadas em seu município. Pois bem, naquela época nós tínhamos um time de futebol, o Vitória Futebol Clube, camisa rubra negra, formado de jovens idealistas, um time de raça, cheio de vigor físico, amantes do esporte amador. O nosso time surgiu para competir com outro rival, O Palmeiras, um clube mais antigo, bem organizado, com sede própria, uma equipe valorosa e respeitável. O Palmeiras tinha jogadores mais experientes e, nos nossos embates, havia uma rivalidade que envolvia toda a população da cidade. No campeonato organizado pela Liga de Desportos, um mês antes do jogo, era só o que se falava na cidade, o que envolvia os caciques políticos, os jovens, os comerciantes, as jovens bonitas, todas elas torcedoras uniformizadas, vibrantes em cada embate.

Era páreo duro, disputado a cada minuto, não era nada fácil, mas até que enfim quebramos a hegemonia do adversário e por longo tempo, fomos os campeões da cidade. Mas entre os nossos craques, havia um cujo apelido era Cacuá, um crioulo forte, de média altura, valente, veloz, que jogava como centro avante. Se não me engano, era sobrinho de João de Ursino, um homem de bem, morador próximo da Fonte da Bica, uma fonte de águas límpidas que abastecia alguns apreciadores, entre eles o meu pai que não a dispensava.

Pois bem, o Cacuá não era um craque brilhante, mas a sua coragem e disposição faziam com que ele fizesse os gols mais impossíveis e perdesse os mais fáceis, sendo capaz de dar um chute para fora, mesmo estando debaixo do travessão. Era uma lástima e a sua escalação, por isso, ele sofria muitas restrições dos companheiros, principalmente de Garoto, um zagueiro cheio de disposição, lutador, de uma calma impressionante, mesmo quando o placar nos era adverso.

Lembro-me bem, que naquele domingo ensolarado de Palmeiras x Vitória, o campo lotado de torcedores, o Cacuá logo se apresentou para cobrar as penalidades, fora ou dentro da área, como se fosse o dono da bola. Logo ele Cacuá que já havia perdido vários gols, já no final do jogo quando perdíamos por um a zero e tínhamos um pênalti a nosso favor, lá vem o Cacuá com a bola debaixo do braço, afastando os colegas e gritando: Deixa que eu chuto, deixa que eu chuto.

É nesse momento crucial, que o capitão do time, o Garoto, como experiente general, cônscio da sua responsabilidade no comando da equipe e antevendo a eminente derrota para o seu maior adversário, vem correndo lá do fundo do campo e, com o dedo em riste foi logo ordenando:

- Calma, calma, Cacuá!  Esse pênalti você não vai chutar e foi logo tirando a bola das suas mãos e indicando a cobrança por outro jogador, que terminou por empatar a partida.

A partir daquele momento, ainda hoje, quando estou a realizar algum negócio ou até mesmo discutindo questões mais sérias, faço uma pausa diante do meu interlocutor, afastando as minhas dúvidas e vou logo dizendo: Calma, Calma, Cacuá!

O mais interessante é que geralmente o interlocutor fica sem nada entender, procurando decifrar o enigma dessa expressão, mas pelo menos fica em silêncio esperando o desenrolar da conversa.

Depois de tantos anos utilizando essa expressão, há pouco tempo, comecei a questionar o amigo Marcelo e J.Lindoso, lá em Enseadinha, uma praia privilegiada do litoral Sul de Pernambuco, de tal forma que eles gostaram e absorveram a expressão, que não tem nenhum outro significado, mas serve para desarmar os espíritos e permitir que tenhamos outros argumentos para a discussão. Portanto: Calma, calma, Cacuá!
» 1 Comentario
1"Essa eh classica" de Eddie em 16 de maio de 2008 02:46
Pois como dito acima, a expressao calma Cacua eh divertida ao mesmo tempo em que joga um balde de agua fria nas ansias do dia a dia. Expressao essa muito utilizada entre um grupo de amigos em Joao Pessoa-PB, quando trazida ao conhecimento do grupo atraves do Jesuino Andre. 
Entao a todos mais uma vez..."calma,calma, Cacua.
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