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Post_Fiction- Automatics (2008) - Os refrões se mantem como marca registrada do trio PDF Imprimir E-mail
Escrito por Olga Costa   
12-Mai-2008
the_automatics_capa_radio.jpgEm algum lugar de um futuro bem distante, automatic é um andróide programado para proteger humanos de ataques violentos. O automatic de nome J269 começa a demonstrar independência da companhia que o criou... A história dos Automatics não está muito longe, nem num futuro distante, acontece a poucos quilômetros daqui, numa cidade chamada Natal. Nunca ouviu nem falar? Talvez seja possível. Talvez seja a banda fruto da imaginação de três caras que vivem debaixo de um sol causticante...


Post_Fiction, que pode ser traduzido como 'depois da ficção', é um trabalho conceitual ao contrário - 'Hide' e 'Ticket to hide' (repetição de tema). A música que deveria fechar abre o CD: "Ticket to Hide" (citação a quatro caras que trabalhavam e tocavam rock nos anos 60) - faixa instrumental sombria - deveria ser o início, a compra do bilhete para a jornada e "Hide" seria a chegada ou o fim da viagem, o local procurado para se esconder, para fugir da tormenta.
Post significa, também, viajar apressadamente (I move fast because you want/hide yourself away/around the town). E o que significa? Significa que não existe saída, nem na ficção, nem depois dela.


Horizontes, invernos, estações, chuvas e sol, muito sol são temas recorrentes no universo automático.


'Uma outra manhã' traz resquícios de um continente combo instalado numa metrópole paulistana: Nada novo em plena manhã/Nada novo, cores desacelerando em pleno sol/fotografias na manhã/meus minutos em cinza/E meu silencio sem resolução - uma música que tocaria em qualquer college radio, se ainda existisse uma, nessa dimensão...


A primeira parte da viagem encerra-se com 'Bring you back' - fale comigo antes que seja tarde- nada mais poderá ser recuperado ou reestruturado. O refrão dessa música lembrou... Não, ninguém iria acreditar... Sem chances, ficção total - E 'Apart' - 'are you falling apart again' - teclado constante ao fundo, variações no meio e um violão no front, que gera uma atmosfera de uma divisão nada divertida da década de 80.


'The Horizon' abre a segunda parte da jornada, onde o delírio aumenta. O sol é constante, um oásis é vislumbrado, mas não passa de um 'brand new flying saucer coming in the sky/on the horizon'. Belo refrão acompanhado de um backing vocals com referências fictícias ao Stanley Kubrick - "eyes wide open".


O clima sombrio instalado em 'Invernia' a faz digna de constar em trilha sonora de um filme quenteniano. O sol inspira a dura realidade, sem espaço para falsos otimismos.
"Pensar que os artistas tem sempre de ser alegres e engraçados é algo meio superficial. Sempre lembro de uma das citações de Bob Dylan: 'Alegre? Qualquer um pode ser alegre'." Máxima do Peter Seeger depois de querer cortar a machadadas os cabos do palco onde Dylan se apresentava... Ficção?!


A idéia de abrigo nuclear estampada em 'Antisolar' remete ao power popismo do compositor Kyle Vincent quando mencionou na década passada "wake me up when the world´s worth waking up for (me acorde quando realmente valer a pena): 'wake me up before - não há mais tempo/pra pensar/não me acorde depois/só me acorde depois/se o oceano flutuar. O oceano só irá flutuar no dia em que chover sapos... Magnólia só existiu numa tela grande que costumavam chamar de cinema...


A camada de ozônio está comprometida, o campo magnético apresenta falhas, onde encontrar um abrigo? Antisolar é o propósito para o início da viagem; a viagem da mente, das possibilidades infinitas, de fazer existir o Dia 32 - nome da suposta gravadora que lançou o Post_Fiction. Quer mais ficção que isso? Talvez nas músicas presentes nas crônicas do Bradbury em terras marcianas.

» 19 Comentarios
1"de volta para o futuro" de JAO em 12 de maio de 2008 08:55
resenha digna de constar nos magazines de Asimov. 
suspeito de comentar, mas é o melhor disco do Automatics até o momento. 
parabés Dra.Olga!
2"Marte Ataca ? Não, Natal." de Wilame AC em 12 de maio de 2008 11:50
Se Marte Ataca, Natal destrói ! 
 
Boas músicas que nos remetem a épocas onde melodias simples e feeling sempre serão o grande segredo da boa música.  
 
Parabéns ao Automatics e e a Olga pela ótima crítica. 
até breve,  
Wilame AC
3"..." de Julie em 12 de maio de 2008 12:13
Olga, realmente delírios! Você viajou (no melhor dos sentidos) escrevendo este texto. Não ouvi o cd, mas pela sua descrição, se o álbum não tivesse capa, já daria para imaginá-la por meio das suas palavras sobre ele! Beijo.
4Comentario de Olga em 12 de maio de 2008 12:43
Magazines de Asimov... Desencavou, heim Jesuíno?!:) 
Ah, pra quem não ouvi o cd, dá pra ter uma idéia das músicas pelo link aqui no site da Rádio Lado Norte/Label - http://www.ladonorte.net/site/content/view/5/57/  
Thanx Jesuíno, William e Julie!:)
5"noticias hots" de Paula em 12 de maio de 2008 15:09
Olguete! bom ter notícias daí!!! Mande sempre novidades quentes pra aquecer o nosso inverno aqqqqqqqqqquuuii... gosto do jeito que escreve. Dá vontade de conhecer a banda... tem link? beijo. 
Paulette!
6Comentario de Mr Mu em 12 de maio de 2008 16:53
E só uma resenha? 
Depois desta primorosa abordagem desisti pelaqui de iniciar qualquer possibilidade de me dedicar a mini contos fixados no científico. 
O que é que tinha naquele café com biscoitos? 
Achei a escriturante mais melhor ainda que o disco : )
7"I wanna" de Mr.A em 12 de maio de 2008 20:58
Não vejo a hora de provar as faixas dessa nova produção dos automáticos seres pensantes de Natal!!! 
 
Long live to the Automatics!!! 
 
Olga is back!!! 
 
Maravilha!!!
8"Uau!!" de Henrique em 12 de maio de 2008 23:13
bah! que tri!!! acho que nem os criadores conseguiriam dissertar acerca da criatura Post-fiction em um nível tão alto e inspirado! uhu!!! 
beijão e obrigado pela resenha sensacional!!
9"Puxa!" de Bruno em 12 de maio de 2008 23:40
fiquei abobado demais ao ler a resenha, não conheço a Olga mas conheço os automatics, e o som do novo álbum tá tão bom quanto a resenha. 
 
Parabéns a todos.
10"E vamos ao show!" de Isabella Lanzillo em 12 de maio de 2008 23:42
Resenha perfeita! Adequada a qualidade da banda = ] 
E vamos ao show!
11"hum..." de julio em 13 de maio de 2008 05:48
continuo sem saber o que toca pelo disco, mas sempre vale pela lesação do texto...bom, vou ver o link da rádio.olga, esse sol tá te fazendo mal! ou bem!
12"E ae Olga!" de Zé em 13 de maio de 2008 07:23
Fala Olga, 
Corri pegar o cd na Sensorial.Gosto da banda,belo show aquele da Outs.Foi na Outs?Boas lembranças.Beijo.
13Comentario de Olga em 13 de maio de 2008 11:40
Além do link aqui da Rádio, tem Automatics no myspace nesse endereço: http://www.myspace.com/theautomaticsnatal . 
Julio, dá pra ter uma idéia do que toca no disco nas seguintes pistas: músicas com influências dos Beatles(os quatro caras que trabalhavam e tocavam rock nos anos 60), Continental Combo(resquícios de um continente combo instalado numa metrópole paulistana), Ride, Joy Division, New Order, etc(uma divisão nada divertida da década de 80) e surf music(digna de constar em trilha sonora de um filme quenteniano - leia-se Quentin Tarantino/Pulp Fiction/Dick Dale/Link Wray), acho que é isso!:) Come on, Julio, não seja tão pragmático :) bjs
14Comentario de Olga em 13 de maio de 2008 12:35
Zé!!!!!! Sim, o Carlos deve ter lá na Sensorial Discos. Sim, foi isso mesmo, no Outs com a Chandler abrinco pros Automatics, em 2006! beijos.
15Comentario de Olga em 13 de maio de 2008 12:37
Que café com biscoito Mr. Mu?!?!?! Aquele lá de Ponta Negra?!?!?!?! Você que é daí poderia me dizer, eu não faço a menor idéia!:) Quando posso tomar outro?!?!?! Hehehehehe bjs
16"Deu vontade de Comprar!!!" de Julio Cesar em 13 de maio de 2008 16:11
Muito legal Olga, um jornalismo discreto e objetivo, algo de quem entende muito do assunto... meu deu vontade de comprar o CD, ou de assistir o show dos caras. 
 
Parabêns!!! 
 
JBS
17Comentario de Marcelo em 14 de maio de 2008 10:30
lisérgica resenha!!!
18"Bradbury em Jampa" de alex alves em 15 de maio de 2008 21:33
Doutora Olga, forme seu projeto solo: the bradburys. Certeza que, se o próprio Ray Bradbury estivesse vivo, se orgulharia de sua resenha. 
Depois de suas palavras, imaginei Natal no ano 2345. Sol demais, hematomas na pele, andróides caçando humanos, internet sob controle das máquinas (alienígenas?). Calma lá, o cdzinho é bem mais simplório, melodias arenosas. Fiquei curioso pra saber com o que parece "Bring you back"...
19Comentario de Olga em 15 de maio de 2008 22:29
Um automático é muito bom, 2 automáticos é bom demais! :) 
Alexandre e Henrique - melodias arenosas sim, simplório talvez, mas não ao ponto de não despertar a minha imaginação. As músicas seguem um caminho estranho depois de prontas, os criadores não tem mais controle sobre elas...se transformam em 'monstros' ou vão para uma longínqua costa oeste do Pacífico :) 
Eu sei que nem você, nem Henrique, nem Augusto imaginaram um terço do que escrevi aqui. Isso é surpreendente, é a verdadeira ficção, a post-fiction que vivemos, nada mais. 
Quanto a Bring You back remete a - lembrei que o título é homônimo de uma música daquela cantora canadense que ninguém gosta, only you - esqueci o nome agora... sorry! - "Eyes Without a Face", preciso dizer de quem é? Acho que não, supor que todo mundo sabe, é demais? Ficção, nada mais, nada demais!:)
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