Gostava de ir na casa dele pra ouvi-lo falar um pouco sobre o passado e
dar boas risadas sobre assuntos diversos. Se hoje vivo estivesse,
Manoel Felipe de Araújo Neto estaria comemorando mais um aniversário. O
constante lembrar é a melhor forma de manter as pessoas vivas em nossas
vidas. Talvez seja a melhor forma de imortalizá-lo e um possível
conforto para o coração de todos.
Nas conversas, Neto como o chamava, falava sobre causos e história do
interior, principalmente das cidades onde nasceu e morou Patos (PB) e
Caicó (RN). De uma memória fantástica narrava fatos e nomes como se
tivesse acontecido um dia antes. Na sua casa, em cima de uma rede, onde
passava boa parte do tempo em função de uma doença rara e degenerativa,
gostava de assistir aos jogos de futebol, de preferência do Flamengo ou
de qualquer outro jogo que pintasse na tevê. É através do futebol que
me apego na sua lembrança, isso por conta de fatos marcantes na sua
época, cujos personagens fantásticos, universais e humanos nos têem à
todo instante e é uma coisa tão comum em qualquer geração.
Manuel Felipe era uma pessoa simples, inteligente e sem frescuras, sua
boa conversa sempre fluia em boas gargalhadas. Rendia um dia mais leve,
salpicado de alegria. De forma bem modesta, presto uma singela
homenagem ao amigo - um pequeno presente, digamos asim -, mostrando
dois textos (logo abaixo) pescados no fundo do baú, que resumem bem
todo o estado de espírito que imperava sobre nós. E pra terminar, tomo
emprestado as palavras de um poeta, versando sobre a saudade: "Quer
saber quanto custa uma saudade? tenha amor, queira bem e viva
ausente"...
"Escrete de Ouro"
Por Orlando Rodrigues
Transcrito do Jornal "O Poti", Natal (RN) de 1995
A Seleção de Caicó vai jogar em Patos, Paraíba, animada com a vitória
obtida contra seu maior rival, Currais Novos, no Juvenal Lamartine,
preliminar de Rio Grande do Norte X Rio de Janeiro, em Natal, pelo
Brasileiro de Seleções, fins de 1959. A comissão técnica recomenda aos
garbosos atletas não ingerirem "comida pesada" no almoço, evitando-se,
assim, desgastes físicos e intestinal.
Os craques cumprem à risca as determinações do técnico – até chegarem à
cidade paraibana para o match. Trocam de roupa exatamente vizinho a uma
churrascaria.
O cheiro de carne assada era tanto que os caicoenses encheram a pança
d'agua até sangrar pelo ladrão. Praticamente, pararam em campo.
Resultado final: Patos 9 X 0 Caicó.
O time rubro-negro: Quinca, Paquia e Boga, Coruja, Porco e Cavalo 13,
Bajojo, Ciroca, Sapo, Chagas e Mansinha. Além da queda, coice na
delegação perdedora: o narrador da Rádio Espinharas de Patos ainda
gozava – "Isso não é mais um time. É um jardim zoológico!"
Como se não bastasse, em pouco tempo a Rádio Rural de Caicó formava a
sua equipe esportiva, sob o comando de Josemar Lagartão, comentários de
Orlando Caboré e reportagens de Jorge Ratinho e Chico Cachorrinha.
Coluna Apito Final
de Everaldo Lopes,
Transcrito do Jornal "O Poti", Natal (RN) de 1995.
Historia – Nos anos cinqüenta os clubes da capital o máximo que podiam
fazer em termos de reforços era mandar vir jogador do interior,
preferencialmente Mossoró, Areia Branca, Caicó ou Currais Novos. Foi
justamente de Caicó que veio fazer testes no ABC o ponta direta Codó,
um garotão ainda de pouco mais de 19 anos. Físico característico do
homem sofrido do sertão, Codó muito cedo revelou ser típico da região,
pois adorava comer rapadura com farinha nas horas de folga na
concentração ou mesmo antes de dormir.
Um dia, num papo descontraído, o falecido zagueiro Miro "Cara de Jaca"
indaga de Codó se ele gosta de dançar..." "Mais ou menos", responde o
sertanejo Codó. Miro vai mais longe e indaga se o colega gosta de
mulher... "Gosto", responde, mas sem muito entusiasmo. É aí que entra
em cena o humor do velho Miro, que tenta a última pergunta, por demais
provocativa: "e de farinha, Codó, você gosta?" "Igi Maria, adoro!",
responde Codó, que se levanta e vai no seu armário pegar justamente a
lata com farinha e um pedaço de rapadura.
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2 Comentarios
1"saudaes sem tamanho" Neto, “Seu Neto” como gostava de chamá-lo, é o pai do nosso querido Fabio Jorge. Sua lembrança, para os que o conhecerem, é sempre alegre. Era uma pessoa que não reclamava da vida, apesar da limitações causadas pela sua doença. Ele com certeza é um exemplo a ser seguido, por aqueles que vivem se maldizendo ou reclamando da sorte. Não lembro de ter chegado alguma vez na casa de Fabio Jorge e encontrar seu Neto de cara fechada ou de mal humor, pelo contrário, estava sempre bem humorado e a recepção era sempre calorosa. Sempre lembro dele deitado em sua rede, na TV um futebol e, que não podia faltar, o bom humor de sempre. Soube de sua “passagem”, muito tarde para poder ir ao seu velório, dar um abraço em Fabio Jorge e prestar minhas últimas homenagem a seu Neto a tempo. E ainda quando lembro disso me vem um nó na garganta... mas presto aqui a minha homenagem a tão querida figura e que sua falta com certeza será sempre sentida e que iremos sempre invocar a sua lembrança. Acho que o céu estava um pouco triste, ou Deus estava querendo saber um pouco sobre futebol, por isso, ele nos levou o Seu Neto. Sei que agora o céu esta mais alegre, e Deus entendendo mais de futebol. Espero um dia, na nossa existência eterna, poder sentar e conversar com o senhor de novo, por enquanto vou vivendo aqui nesse mundo com a saudade. E sempre vamos lembrar do senhor na sua criação, seu filho, Fabio Jorge, tão querido pelos amigos. Fabio Jorge, um abraço cara ! Seu Pai era nesse mundo e é no outro uma pessoa maravilhosa.
2Comentario S. Neto aturava os ensaios do Nailspop. Só alguém especial e de muito bom humor, mesmo! Bonito texto, Jesuíno. Bjs.
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