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Ian, o filho do peixe | Ian, o filho do peixe |
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| Escrito por Chico Padilha e Foto: Francisco Chagas | |
| 17-Abr-2008 | |
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"My name is Kelly..."
Robert Kelly Slater riu com
a resposta da garota para sua pergunta naquele primeiro dia como campeão
mundial em 1992 , no Rio de Janeiro. Marcos Uchoa já era um jornalista da Globo conhecido naquele ano, filho de um ex- exilado político ele morou em muitos países e virou poliglota por necessidade e fluente por dedicação. E foi ele naquele sábado quem entrou ao vivo no "Esporte Espetacular" entrevistando ao paraibano Fábio Gouveia, vencedor da etapa anterior no Japão e favorito da etapa brasileira no dia seguinte.
"Fabinho você
está aqui, mas a sua esposa Elka, não veio pois está em casa aguardando o
nascimento do segundo filho de vocês, que mensagem você manda para ela e para o
Brasil nesse momento"
" Muié´ segura
as pontas aí, que eu `tô´ chegando!!!"
Uchoa ao vivo e muitos não
contiveram a alegria que o estilo Fabinho de ser provoca dentro e fora do mar.
Na prova muita gente também
ficou alegre com a performance dele que foi ao pódio em terceiro, quando então
a vitória de Damian Hardman evitou que Fábio Gouveia fosse mais do que quinto
no ranking 1992, um ano finalizado com vitória de Slater em Pipeline, enquanto
Fabinho ia até as quartas de final no Havaí após vencer goofies como Jeff Both
e Rob Machado.
Domingo a noite Fabinho já
voltara do Rio para Recife, para o irmão Guga sobrou a missão de receber por
ele o prêmio" Now Trip Pool" no Olimpizza, frente a uma platéia de
brazucas e aussies, a exemplo de Tom Carrol, Damian Hardman e Matt Hoy, vice de
Fabinho quando ele venceu a primeira de suas quatro etapas de WCT: o "Hang
Loose Pro Contest", em Pitangueiras, Guarujá, São Paulo, mais um feito
pioneiro em um esporte que tinha nele o nosso único campeão mundial da
International Surfing Association (ISA), o mesmo que norte-americano Tom Curren
conquistara dez anos antes de vir em 1992 pela primeira ao Brasil, ano em que o
tricampeão mundial já era o pai de Lee Anne Curren e ano
"Painho, eu
perdi para um menino lá da Paraíba",
foi assim
em 2006 que modestamente Ian Gouveia relatou a sua boa performance
iniciante para o pai ao chegar em casa na Ilha de Santa Catarina, ele vinha da
abertura pernambucana do Maresia Brasileiro de 2006, realizado justamente na
Baia de Maracaípe, onde começou a surfar pois quando moravam em Candeias,
Jaboatão, o surf já era prazer com risco de vida e proibido na grande Recife.
A impossibilidade de um
surf diário para todos que fosse conciliado com estudos para os filhos, foi
decisivo para Fabinho se mudar de Recife para Floripa, e foi lá, vencendo a
abertura do SuperSurf 2005, que o 'Fia" mostrou que a palavra vencedor não
se apagou do seu dicionário, Fabinho garantiu os pontos decisivos para o título
da temporada ao ser vice na etapa baiana em uma bateria franca contra o também
paraibano Jano Belo, na Costa do Sauípe, Bahia.
Foi assim que Fábio Gouveia
reagiu direto de Durban, na África do Sul, à notícia que Ian Gouveia, garantira
com resultados sua vaga no Mundial Júnior 2008.
A prova esse ano vai se
realizar na França, a vaga de Ian, por uma decisão técnica, foi remanejada para
a Sub-16, no Brasil chamada mirim, palavra tupi que se traduz pequeno.
E lá vai o pequeno Ian ser
mais um Gouveia no surf mundial, o segundo deles na história da ISA, sobrinho
do ex-campeão português Guga Gouveia, desde já na torcida e desde muito vivendo
o surf e trabalhando com ele em Portugal.
Foi na França que Napoleão
Bonaparte certa vez disse "talento sem oportunidade não é nada". Para
muitos surfistas de talento hoje a oportunidade de uma carreira iniciada na
idade certa é real, graças ao positivo crescimento do surf através dos
positivamente envolvidos com o esporte, que lucram com isso. Havendo uma boa base e um grande exemplo em casa melhor ainda, e isso o mirim Ian tem da forma ideal, todo o Mundo sabe.
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