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A Estréia | A Estréia |
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| Escrito por Jesuíno André | |
| 11-Abr-2008 | |
Ainda
ontem fui prestigiar o debut, em competições de surfe, do amigo Renato
Ricardo. A categoria dele é o longboard, aqueles pranchões que originaram esse
esporte moderno, que antigamente era praticado pela nobreza polinésia e agora
democraticamente acessível a qualquer mortal. Os pranchões são os que mantêm a
tradição dos formatos das pranchas originais, os que carregam ainda aquele
espírito do surf sem a interferência gritante da modernidade. O surfe é o
esporte onde a Natureza impõe suas condições e o homem se molda sabiamente a
essa lei. Professora cujo ensinamento não só forma o corpo, mas elabora um
equilíbrio mental e até o encaminhamento espiritual para os
pacíficos, às vezes é tão generosa que acaba desvirtuada em algumas pessoas.
Sim, falemos de Renato e sua estréia. Ele, durante sua apresentação – uma
bateria composta de quatro competidores, com 15 minutos de duração e somada as
melhores ondas – não conseguiu descer uma onda. A natureza foi implacável,
recusando-se a ceder suas inexistentes vagas ao nervoso neófito. Além disso,
sobrecarrega o fato de que seus adversários serem mais experientes, não lhe
dando chance alguma de boa performance.
No seu semblante, logo
após o termino, um misto de decepção e tristeza, numa tentativa infrutífera de
justificar o fato. Mas ele não tem nada a provar. Sua atitude corajosa é o
ponto crucial de toda essa questão. A capacidade de querer e de fazer.
Embora o resultado
aparenta fracasso, a conversa não é bem essa. Fracassar é não ter atitude, é
ser incapaz, é não fazer o que gosta e o não enfrentar o destino. O amigo
portou-se como um nobre polinésio, em suas condições foi lá e tentou. Não
conseguiu atingir a meta das regras, mas isso pouco importa. Com certeza a
natureza não lhe fechou as portas, apenas esta o testando e novas tentativas
surgirão até completar o ciclo.
Sim, alguns amigos e
amigas mais chegados reclamaram da impossibilidade de estarem no evento, pois
gostariam de prestigiar-lo. Eu e Natan a tiracolo fomos lá para emanar boas vibrações
de bom desempenho, como se cada braçada e remada e tentativa fossem nossa.
Estávamos com ele no mesmo esforço, e seu sucesso seria o nosso sucesso. É isso
que todos nós desejamos.
Esperemos pois, a
próxima Lua, para novas emoções. E com certeza mais historia para contar.
Aloha! »
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