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O dedo vingador PDF Imprimir E-mail
Escrito por J. Lacoli   
10-Abr-2008
Essas coisas tinham de acontecer na Bahia, cidade de todos os santos, encantamentos e mistérios. E foi o que ocorreu com o nobre Deputado Federal Manoel Azidório de Santana, ilustre representante do PT, em célebre discurso na Câmara Federal, em Brasília, quando, ainda sob efeito da sua gloriosa viagem celestial, confessava a sua indignação pela virulência a que foi submetido quando de exame especializado na sua próstata e, publicamente vinha protestar pela maneira selvagem como foi examinado, alertando as autoridades e seus pares para encontrar uma fórmula indolor e  menos traumática na realização desses exames.


Julgando-se, sem a menor vergonha, vítima desse estrupo médico, esperava que, com o seu protesto, pudesse evitar o sofrimento da população e quiçá dos seus fiés eleitores.

Examinado pelo renomado esculápio Aristarco Belarmino, com Ph.d em exames e cirurgias de próstata, conta-se nas rodas baianas que o ilustre deputado do PT exagerou nas suas queixas e reclamações.

O doutor Aristarco Belarmino, renomado profissional, catedrático, bem referenciado em Salvador e no meio científico nacional, vai recorrer ao CRM para que o deputado venha retratar-se pelas  injuriosas ofensas, inverdades propaladas pelo deputado federal.

Toda a Bahia conhece a vida pregressa do Dr. Aristarco, Belarmino, no vigor dos seus setenta anos de idade, um mulato simpático, com quase dois metros de altura, corpulento, cabelos pretos, rosto saliente e bigode exuberante. O médico é sóbrio, de pouca conversa, de hábitos conservadores.  

Há muitos anos, com consultório na Rua Chile, antigo ponto chic da granfinagem de Salvador, seu gabinete amplo, de móveis antigos, livros espalhados por toda à parte, Aristarco, longe da modernidade, tem o hábito de preencher a mão a ficha médica dos pacientes, anotando as queixas e histórico de cada um, cujas anotações são mantidas numa caixa de madeira, já surrada pelo tempo, com os nomes em ordem alfabética.

Nada de informática ou computador, o máximo que se permitia o Dr. Aristarco, era raramente a utilização de uma velha máquina Remington, em completo desuso.

Nem por isso, o conceituado profissional deixava de atender numerosa clientela que diariamente o procurava.

A sua atendente, dona Manuela, uma matrona que o atende, há mais de cincoente anos, como auxiliar de enfermagem, lembra-se que o Dr. Aristarco tem ojeriza a político e que naquele dia em que atendeu o deputado, não estava de bom humor e ela presenciou o diálogo entre eles:

- Doutor, sou o deputado federal Manoel Santana, líder do PT, quero que o senhor me atenda hoje, pois tenho que regressar à noite para Brasília. Como o senhor bem sabe, sou um homem público, não posso faltar as minhas obrigações legislativas.

Doutor Aristardo, não gostando da sua petulância e exigências, encarou-o nos olhos e, sem a dar importância ao seu pedido, respondeu secamente: Pois bem deputado, diga-me os seus dados pessoais, qual o seu problema de saúde, esqueça as suas atividades de Brasília,  e vamos ao que interessa.

- O deputado discorreu sobre as suas queixas; disse que sentia dores quando mijava queixava-se também de dores ao defecar.

- Muito bem, disse Aristarco, vamos aos exames, dirigindo-se a sala ao lado preparada por dona Manuela, e ordenou:

- Tire a roupa deputado e deite-se nessa cama, com as pernas abertas, como se fosse realizar um exame ginecológico.  Depois, apalpou-o de cima a baixo, e a seguir, calçou uma luva de borracha, passando vaselina no dedo médio.

Aristarco tinha uma mão de gigante, o dedo médio grosso, tinha quase trinta centímetros de comprimento. 

O deputado continuava a vociferar, contava vantagens dos planos do governo, do sucesso da economia, da reeleição de Lula e coisas tais, chegando a dizer: - Confio em você, companheiro Aristarco.

- Aristarco olhou-o de soslaio e respondeu: Não me leve a mal, mas quem sou eu para ser seu companheiro deputado? Não sou membro do PT e nem sócio do governo para ser seu companheiro, meu caro.

- Muito bem, doutor, é que somos bem organizados e agora começamos a mamar nas tetas da vaca.

- É deputado, mas os senhores estão com muita sede, atropelando as pessoas e os bons costumes.

- Desculpe-me, doutor, mas o senhor é preconceituoso para com o nosso partido, temos sòmente vinte e cinco anos de idade. Porque o senhor não protesta contra os partidos de oposição, esses hematófagos que vem chupando o sangue da nação há muitos e muitos anos? - É, deputado, preciso lembrar-lhe que o seu partido ganhou o poder com a bandeira da moralização, mas só pensa em mamar, mamar e engordar.

O deputado não gostou das considerações do esculápio, estava arrependido pela consulta, mas aquela altura não podia mais recuar.

Nesse instante, já irritado, doutor Aristarco lembrou-se da humilhação e maltratos que sofreu a sua genitora, com mais de noventa anos, sob sol e chuva, na fila de recadastramento do INSS para provar que ainda estava viva. Por isso, o sangue lhe subiu a cabeça e disse para si: Hoje vou descontar essa conta nesse deputado, e foi o que aconteceu, ao avisá-lo: - Deputado, relaxe porque vou massagear a sua próstata para verificar o tamanho. Aí, deu-lhe a primeira dedada, até o pé do dedo. O deputado deu um berro: Aí doutor! Ai, doutor, não agüento. Tire esse dedo, doutor, não suporto tanta dor!

- Aristarco, então, num vai e vem seqüencial, enfiava e retirava o dedo dizendo para si mesmo: Esta dedada é pelos maltratos aos aposentados; esta outra pelo salário mínimo; essa pelo desemprego; essa outra pela carga tributária; essa outra pelo MST; (Aristarco teve uma propriedade invadida), outra pelo Valdomiro do Bicho e a última pela compra o Air Bus do presidente. Cansou o dedo de tantas dedadas.

O ilustre deputado do PT recuperou-se, lentamente, depois de tomar um analgésico. Não pagou a consulta, saiu aborrecido e ameaçou o médico dizendo que levaria o caso para conhecimento de todo o país, sob alegação de que tinha viu estrelas. O doutor Aristarco e a enfermeira Manuela, afirmam que o deputado não viu só uma estrela, mas astros e constelações. E Aristarco concluiu sorrindo: Engraçado Manuela o ilustre deputado traz orgulhoso uma estrelinha no peito, símbolo da sua ostentação e grandeza, mas ele devia era me agradecer porque através do meu dedo mágico ele foi visto pelos céus da Bahia agarrado no rabo do Cometa!

E tome dedadas...
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