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O "Bodyboard" | O "Bodyboard" |
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| Escrito por Renato Abreu | |
| 24-Mar-2008 | |
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Eu era o "Bodyboard" dela. Aquele que fica largado, esquecido num canto da garagem e que é sinonimo de liberdade, emoção, paz e diversão, mas, que não achamos mais tempo para usá-lo. Sempre, nos nossos planos para o futuro, quando teremos mais tempo livre, reservaremos um espaço para ele, mas como o passar do tempo, o espaço reservado vai sendo sempre protelado, sempre lembramos que ele vai estar ali, na garagem, nos esperando, e o substituímos por algo mais "importante" e "urgente" e que requer toda a nossa atenção no momento.
E eu esperei, no canto da garagem, esquecido, acumulando poeira, sonhando o momento em que a porta iria se abrir e ela viria até mim e me tiraria dali e iríamos surfar de novo, ao invés, ela entrava na garagem linda e deslumbrante, me lançava um olhar furtivo, e saia com o carro. As vezes, ela me olhava docemente e murmurava: "um dia ainda volto a surfar...", e isso enchia o meu coração de esperança e alegria, e me fazia sonhar com os dias que viriam, e que, nós dois, juntos de novo, enfrentaríamos as ondas e nos divertiríamos, esses momentos me acalmavam. Mas, o tempo foi passando a camada de poeira aumentando, outros objetos foram jogados sobre mim, e agora a única visão que eu tinha dela era a dos seus sapatos quando ela entrava no carro e saia. Numa atitude desesperada crie pés e mãos, e empurrei aqueles objetos de cima de mim, levantei, sacudi a poeira, e resolvi sair da garagem. O sol ofuscou meus olhos, fazia muito tempo que não o via, senti medo de enfrentar o mundo sozinho, e de perder as esperanças de que ela lembra-se de mim e sentisse a minha falta e me tirasse de vez daquela garagem, e mesmo com todas as minhas duvidas e os medos, resolvi sair daquela garagem, e enfrentar aquele mundo hostil onde antes passeava calmamente ao lado dela. Hoje, não sou o mais o "Bodyboard" de ninguém, e não espero por mais ninguém, ando pelo mundo e pego as minhas ondas sozinho e sou feliz assim. Mas... dentro de mim, bem escondido, num lugar onde não posso controlar os pensamentos, mora o desejo de um dia reencontrá-la na praia, e ela me reconhecer e me querer de novo, e outra vez voltarmos a surfar juntos. »
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