Festival Mundo e a Aldeia Global

10 de outubro de 2009
Foto de Rafael Passos do Rafael Costa da Distro.

Foto de Rafael Passos do Rafael Costa da Distro.

Eu não conhecia o mundo como festival. Era a primeira edição. Confesso que gostei do mundo instalado numa usina de energia. Não poderia imaginar parceria melhor. Pois bem, e não é nessa usina de um mundo ainda desconhecido que constato algumas obviedades vivenciais?

McLuhan estava certo. Bráulio Tavares está certo quando diz que “O que chamamos de Rock Brasileiro é na verdade um movimento de apropriação cultural completamente diferente do rock americano.” Estamos interligados, só que, nossa cultura é outra, nosso sotaque é outro, assim como na Finlândia, Japão ou Rússia.

Constatar que problemas no som, com a sudema ou orgão equivalente não se tornou exclusividade nossa, nem de nenhum festival mundo afora, é uma satisfação assaz estranha. Mesmo dentro de uma aldeia global, a sensação eteística, eternamente carregada, não se dissipou. Ouvi de uma garota que estamos no fim do mundo.

O fim do mundo é não ter amigos. O fim do mundo é não ter para onde voltar. É se perder em qualquer ponto entre o leste e oeste.

“A vida é extrema, nossa música é extrema”: lema ditado pela banda Dissidium. Com máscara do lendário personagem do filme Sexta-Feira 13, Jason, o vocalista e frontman, Williard (1) dominou o palco e provou a receptividade da platéia um tanto quanto atônita: “Você já tocou num corpo morto alguma vez?”. O primeiro verso da música Michael Myers foi inspirado no famoso serial killer criado por John Carpenter (2).

Quando delineou sua visão de aldeia global, no final dos anos 60, McLuhan não vislumbrou que, algumas décadas depois iria além, e muito além do que ele imaginou. Não podemos mais ser o fim do mundo, incauta moradora, embora tenha acreditado nisso um dia, mas persistir no erro é burrice, somos ouvidos no mundo inteiro, quer você queira ou não.

Com letras calcadas na filosofia oriental, R.I.D (Rest in Disgrace) já tem o seu primeiro cd gravado com quatro músicas instrumentais e quatro com os vocais de Rafael Basso (3). Foi a primeira banda a pisar no palco mundo com seu death/doom, onde uma platéia de oitenta por cento de camisetas pretas esperavam pela (con)sequência - de três bandas - do que tradicionalmente chama-se heavy metal. Em seguida o death metal do Soturnus tomou conta… Rafael fez falta, mesmo assim, a banda executou composições dignas de estarem entre as melhores no estilo…

“Simon Iff (4) won’t advertise my soul/The essence of my arts rests in the shade” (Simon Iff não expôs minha alma/A essência da minha arte repousa nas sombras). Dissidium sem sombra alguma de dúvida foi a revelação das primeiras horas do mundo.

Pode-se dizer que eles são frutos de uma geração um tanto quanto recente e promissora do circuito independente, representadas pelos Los Canos (5) e nos anos 80 pelos João Penca e seus Miquinhos Amestrados. Mandaram de cara “Familia que briga unida permanece unida” do Little Quail and the Mad Birds (6).

Cerva Grátis fez uma apresentação sem vacilos e com entrosamento, na abertura do que viria a ser a segunda parte do mundo. Além dessa, mandaram mais uma versão, dessa vez da Danko Jones, trio canadense que irá se apresentar no Festival Dosol (Natal – RN) em menos de um mês.

A guitarra, companheira de composições e das horas de tédio ensolaradas em terra potiguar, resolveu se rebelar contra seu dono e benfeitor, e sabotou de forma avassaladora a apresentação da Distro.

Fui puxar as orelhas do Rafael após show e ele me garantiu que tinha trocado as cordas da danada há mais de uma semana, vai saber…

Destaque para “My favorite life”, música que faz parte do mais recente e excelente lançamento da banda: “Chocolate with Pepper”. Apesar da espera para afinar a guitarra entre as músicas, a platéia, pacientemente, ouviu bons refrões, característica pertinente a banda.

Volto aqui a citar, mais uma vez, o sábio Bráulio Tavares: “Não tem nada a ver com lançar mão da música negra, acústica, rural, das comunidades mais pobres. É uma tentativa de imitar uma música que nos chega de fora; a tentativa de produzir “um similar nacional”. Não há nada de errado com isto, porque a maioria dos países faz isto, e não apenas os países subdesenvolvidos. Grande parte da vitalidade cultural dos EUA e do Japão se deve a essa sua disposição permanente de observar, imitar e reproduzir coisas que deram certo em outros países… A criatividade que houve se deveu aos talentos envolvidos (que foram muitos), e não à natureza do processo, que era basicamente imitativa.”

Lembro de ter comentado com Hugo Morais algo como: “o blues é um gênero que por mais obvio que seja e tenha um monte de clichês, ainda assim é vibrante!”. E é assim The Baggios. Muito a vontade com sua guitarra, Julio Andrade cantou e tocou composições próprias com base no velho e sempre pulsante blues. Às vezes com uma levada meio country, em outras com a guitarra fazendo a vez de um baixo, Baggios conquistou o público e foi conquistado também: “em João Pessoa vou ficar” cantou em um de seus refrões.

O baterista nos presenteou com um momento digno do fabuloso arizoniano John Convertino, vindo de terras tão desérticas quanto as nossas, quando tocou pandeirola com a mão direita. Tem futuro!

The Baggios foi a segunda revelação do festival.

O que falar do Burro Morto que de morto não tem absolutamente nada? A cada apresentação estão mais vivos e entrosados. Breve deverá sair DVD deles, estavam captando imagens.

Nem só de show vive o Festival Mundo. Fui ajudar meus amigos da Música Urbana (Robério e Ronaldo) e do Espaço HQ (Rogério, Val e Coppola) que estavam dividindo stand na feira do festival, perdendo as apresentações de Sacal e os franceses (Eklips, DJ Nelson e Marko 93), com os quais troquei meia dúzia de palavras logo cedo.

NOTAS:

1 – Um dos criadores da banda Medicine Death, baixista, compositor, filósofo e cantor.

2 - John Howard Carpenter nasceu em Carthage, Nova Iorque. Começou dirigindo curtas em 1962. Em meados dos anos 70 formou uma banda chamada The Coupe de Villes. Desenvolveu diversas funções na indústria cinematográfica, além de diretor, é escritor, ator, compositor e produtor.

3 – Vocalista e um dos fundadores da banda Soturnus em 2000. Rafael deixou a banda ano passado, num show de despedida na extinta Ksa Rock.

4 – Personagem de mini séries policiais escritas pelo guru maldito Aleister Crowley. Sim, ele mesmo, tema da música Mr. Crowley do Ozzy Osbourne, do álbum Blizzard of Ozz de 1980.

5 – Formada na cidade de Salvador em 2003. Participou dos festivais Mor-Março e MADA de 2004. Lançado pela Frangotte Records, selo independente da Bahia.

6 – Formada em 1988 no Distrito Federal, Brasília. Foram nove anos de estrada com os mesmos caras: Gabriel Thomaz (guitar/voz), Zé Ovo (baixo/voz), e Bacalhau (bateria). Lançaram dois discos e um EP. Várias músicas do trio tornaram-se verdadeiros hits no underground, mesmo sem a banda aparecer na MTV, nem tocar em nenhuma rádio mainstream.

A Música Urbana no mundo pode ser encontrada na Visconde de Pelotas, 138, Loja B, vizinho ao Espaço HQ, João Pessoa, Paraíba, Nordeste, América do Sul. Telefone 3042 3212.

Perfil - André Nógrega

20 de agosto de 2009
Zé Viola em ação

Zé Viola em ação - da esquerda para direita: André, Edy, Helder e Nielsen

Primeiro álbum que comprou
 Foi o LP “Atom Heart Mother” da banda Pink Floyd no final da década de 80, no qual, tenho na minha casa até hoje e considero um disco indispensável para qualquer amante da boa música.
 
Música que sabe a letra de cor
Falando sério! só as da Zé Viola progressive band (risos)

Álbum antigo que ouve até hoje
“BORBOLETA” disco de 1974 do guitarrista Carlos Santana. Um clássico!

 Uma música que está no seu Top 5
 ”COISAS NATURAIS” do disco DWITZA de Ed Mota.

 Álbum que define o rock nacional 

“CARNE HUMANA” Disco do ano de 1987 da banda ZERO.

 Música de sua autoria que gostaria que fosse gravada por
 ”LITERATURA DE CONDÃO” por Chico César.

 Álbum subestimado que todos deveriam conhecer
 ”CALANGOTANGO” da banda Café do Vento de Natal-RN. Este cd tem na loja Mùsica Urbana do meu amigo Robério.
 
Música do dia
Do dia a dia: “PEOPLE, LET’S STOP THE WAR” do álbum “E PLURIBUS FUNK” da banda GRAND FUNK RAILROAD.

No momento eu…
 
LEIO: “TERRA DO SOL” livro que fala de Nordeste e Rock n’Roll de autoria de João Bezerra da Nóbrega.
 
ESCUTO: Músicas de qualidade.
 
ASSISTO: Telejornais, futebol, desenhos animados, shows e filmes baseados em fatos reais.
 
RECOMENDO: “RAY” dirigido por Taylor Hackford, que fala da vida e obra do grande pianista de soul/jazz “RAY CHARLES”. Uma verdadeira lição de vida!

Antonio Patativa responde:

1 de agosto de 2009

Madalena Moog em ação: nova formação e em breve novo cd

Madalena Moog em ação: nova formação e em breve novo cd

Primeiro álbum que comprou

The Queen is Dead, da The Smiths, de 1986. Eu ouvia “The boy with the thorn in his side” sem parar. Eu já havia ganhado alguns discos, mas esse foi o primeiro que eu realmente comprei.

Música que sabe a letra de cor

Várias; mas destaco “Somos quem podemos ser”, do álbum “Ouça o que eu digo: não ouça ninguém” (o melhor de todos), da banda gaúcha Engenheiros do Hawaii; disco (na época não havia CDs por onde eu morava, no Ceará) de 1988, na melhor fase do trio GLM.

Álbum antigo que ouve até hoje

Vários MESMO… destaco, porém, “Peng !”, álbum de 1992, da banda franco-canadense Stereolab.

Uma música que está no seu Top 5

“Today is the day”, do album “Summer Sun” (de 2003) da banda americana Yo La Tengo

Álbum que define o rock alternativo

O álbum “Painful”, de 1993, também da Yo La Tengo. Nem é o que eu gosto mais dessa banda, mas fica clara a mudança que a sonoridade ganha com a entrada do baixista/guitarrista/tecladista/vocalista James McNew, que havia entrado já no álbum anterior, o “May I sing with me”, de 1992. YLT tem influências de Velvet Underground, Beatles, bandas pós-punk, de folk-rock, etc., mas tem melodias e experimentalismo que são próprios dela, a exemplo da Sonyc Youth. Desse álbum em diante, a YLT, ao menos pra mim, é a banda indie por excelência.

Música de sua autoria que gostaria que fosse gravada por

“Stronic Up!”, pela Chico Correa & Electronic Band

Álbum subestimado que todos deveriam conhecer

“Genesis”, das irmãs Wendy & Bonnie, gravado pela Sunshine Pop em 1968, e milagrosamente resgatado pelo músico e produtor da Stereolab, Tim Gane, e recentemente lançado pelo selo Sundazed (CD duplo com vários bônus e alguns covers de Beatles e outros. Coisa finíssima!). Quem quiser conferir a dica e baixar o CD, aqui: http://lazerguidedmelodies.blogspot.com/2009/07/wendy-bonnie.html

Música do dia

“S’wonderful”, na voz de João Gilberto, primeira faixa do álbum “Amoroso”, de 1976.  

No momento eu…

LEIO: Alain de Botton, escritor e filósofo suíço que mostra como a filosofia não precisa ser chata e a literatura, contemporânea, vazia.

ESCUTO: Luiz Gonzaga

ASSISTO: “Monster”, de Naoki Urasawa, uma magnífica saga (anime) realista em 74 episódios. Foi exibida na Nihon TV (abril de 2004 a setembro de 2005), produzida pela Madhouse. A produtora norte-americana New Line Cinema adquiriu os direitos e pretende adptá-la para os cinemas.

RECOMENDO: O filme “A Fortaleza Escondida”, de Akira Kurosawa (de 1958), filme que, dentre outras, inspirou as trilogias de Star Wars, de George Lucas. O mal, aí, o mestre Kurosawa ensina, pode ser um conceito bastante relativo.

Mais sobre a Madalena Moog:

http://madalenamoog.blogspot.com

www.myspace.com/madalenamoog8

Vôo Cego

18 de julho de 2009
Unidade Móvel - Em Tempo Real

Unidade Móvel - Em Tempo Real

Voar é a liberdade. A liberdade de buscar. Atravessar fronteiras. Vôo cego é incerto. Cego é quem não vê, mas pode sentir. O vôo é inesperado. Instinto. É atirar-se sem medir consequencias. Vôo cego é o desespero de quem quer viver, respirar, mudar. Uma válvula de escape em você mesmo. Como se a vida toda tivesse passado rápido demais. Tudo aconteceu em muito pouco tempo e de repente você estava onde não gostaria de estar. Preso no limbo. Tudo se tornou muito pesado. Um fardo. Imaginação acorrentada. A liberdade de ser o que se quer ser. Parece um sonho. Parece música tocada com vontade, daquelas que grudam e repetem o dia inteiro na sua cabeça. Alguém que nunca experimentou voar, jamais saberá a sensação - Eu vou tirar você do sério/Vou te deixar sem respirar. E, se não houver o vôo, mesmo cego, ela, a mulher, a morte chegará mais rápido. As veias ainda latejam e lembram o quanto é bom estar aqui e ter a chance de arriscar de forma diferente, mesmo que,  para as pessoas ao seu redor, seja algo completamente sem sentido. O sentido do vôo é de quem segue em busca de qualquer coisa renovadora. Isso ninguém pode tomar. Ninguém pode viver a vida de outra pessoa. A sensação do vôo, a cada um pertence. Você me fez pedir um vôo cego - porque não tinha outra saída. Para alguns a vida é um vôo cego desde o início.  Quando foi o seu primeiro vôo? Tudo tem um começo. Viver num vôo cego, também tem um início, mas nunca se sabe quando o fim chegará.

Sandro Garcia - Entrevista

29 de abril de 2009
Sandro Garcia, Carlos Costa e Rogério "Bigode" - Continental Combo em ação.

Sandro Garcia, Carlos Costa e Rogério "Bigode" - Continental Combo em ação.

Neste sábado, dia 02 de maio, Sandro Garcia tocará na Música Urbana, com Alexandre e Henrique dos Automatics - banda de Natal, na Festa #3 da Lista PB Rock (mais informação no final). Sandro irá apresentar músicas de seus trabalhos solo. Acompanhando Sandro nessa jornada músical, teremos Madalena Moog e Blue Sheep, bandas locais que apresentarão, também, músicas autorais. Para quem não conhece o Sandro, na entrevista a seguir, dá para se ter uma idéia, e para aqueles que conhecem, será apenas um resgate, pra memórias enferrujadas, como a minha. Divirtam-se!

A vida da cidade. Pessoas e sentimentos condensados em personagens compostos por fragmentos de uma grande metrópole. A realidade urbana - “no cinza da cidade/você se consumiu”. A solidão instalada - “o bom dia que ninguém te deu”. O desespero diário - “suas mãos no rosto/nas lembranças tudo vai bem”. E a esperança de um dia melhor - “a manhã iluminou você/o sol brilhou e iluminou você”. Os versos dessas músicas traduzem parte de um universo fascinante que existe dentro da cabeça de Sandro Garcia.
Para tornar isso musicalmente viável, no início de 2003, Sandro convocou dois amigos e cúmplices para embarcar numa viagem chamada Continental Combo - Carlos Rodrigues(baixo) e Rogério ‘bigode’ Meni(bateria). Na trilha sonora fortes influências do folk e da psicodelia sessentista. Lançaram vários singles e finalmente ano passado, pela Monstro Discos, saiu o primeiro álbum da banda. Nessa entrevista, uma ótima oportunidade de conhecer um pouco mais do homem-Sandro Garcia-retalho.

Você tem uma capacidade impressionante para criar histórias. Do nada você surge com algo mirabolante. Você sempre foi assim? Quando isso se ‘agravou’?

Às vezes faço isso de criar histórias inusitadas pois não consigo entender como as pessoas levam a vida tão a sério. Isso acontece, sempre tento dar um toque nonsense no nosso cotidiano, muitas vezes sem graça. É curioso como fatos na história da humanidade foram marcados por atitudes de pura trapalhada! Não sei, às vezes, se as minhas pequenas invenções são mais absurdas do que as notícias que testemunhamos diariamente.

Essa sua imaginação criativa ajuda de que forma nas suas letras?

Procuro me distanciar do lugar comum e às vezes fico procurando as palavras que realmente combinem com a idéia. Mas sem ser algo direto. Faço constantemente isso. Como na música “Tempos de Glaciação”, onde o frio reforça a sensação de solidão do personagem.

Essa solidão é algo inerente ao seus personagens. Existe algum motivo especial?

Quase sempre as letras surgem da minha observação do cotidiano, às vezes uso algo mais surrealista, mas na grande maioria das vezes é a cidade e o seu poder opressor sobre as pessoas que acaba me servindo com fonte de inspiração. De alguma forma tudo que relato nas letras fazem parte do meu ponto de vista em relação aos conflitos da vida em uma grande metrópole.

Qual a influência do cinema na suas letras?

Diria que é absoluta. Quase sempre recorro aos filmes para complementar algo em uma letra que escrevo, sempre procuro guardar catálogos e folders de divulgação de mostras cinematográficas, foi em um catálogo (sobre cinema marginal brasileiro) que tirei o nome de um filme para usar em uma composição recentemente do Continental Combo chamada “Em Cada Coração um Punhal”. É impresionante como existem filmes com nomes sensacionais. As histórias são um caso à parte. Adoro Alphaville, do Godard, ou Summer in The City, de Wim Wenders, a trilogia do apartamento (Repulsa ao Sexo, O Bebê de Rosemary e O Inquilino) do Polanski são um espetáculo de cinema.

Você escreve as letras antes e depois faz a música?

Não existe uma regra, na maioria das vezes desenvolvo o lado instrumental junto com um primeiro esboço da letra, um tema inicial que vai ser usado como argumento da história. Às vezes o instrumental transmite um clima em que a letra deve se apoiar, então procuro escrever algo que combine com o clima da música, como faixas mais recentes. Em “Aquecimento Global”, a letra fala da inocência de estar dançando de forma tão pura em clube qualquer da cidade e não se dando conta de que lá fora o aquecimento global é uma realidade que vai interferir na vida de todos nós. A letra é algo meio denso e o instrumental também transmite essa sensação.

Qual foi o primeiro grupo ou compositor que ouviu e pensou: quero fazer algo nesse estilo?

Dos artistas nacionais sempre admirei o Edgard Scandurra e o Fábio Golfetti. No ano passado vi um show no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) onde os dois tocaram juntos acusticamente e fiquei emocionado. Cada um construiu sua obra com a banda ao longo de todos esses anos e ali eles estavam meio que desprotegidos, só com o violão e suas canções, tocando como velhos amigos, longe dos holofotes da mídia, que tanto atrapalha. Também adoro o Jam. Paul Weller é um dos artistas que mais ouvi na minha vida, mas têm muitos outros.

Quais são os outros?

Roger Mcguinn, dos Byrds, Pete Tonwshend, Kevin Ayres (ex-baixista do Soft Maschine, que possui uma carreira solo genial), diria que todas as bandas que circularam pelo meu estúdio (o Quadrophenia) me serviram e servem de incentivo e inspiração para produzir música.

Quem lhe influenciou no começo da carreira? Em que época foi?

Comecei tocando contra-baixo por volta de 84 para 85. A minha influência maior desde o início e até hoje é o grande baixista Bruce Foxton, ex-The Jam.

Que outros baixistas você pode citar como influência além do Bruce?

James Jamerson (ele criou as sensacionais linhas de baixo da Motown nos sixties), Jean Jacques Burnel (dos Stranglers), McCartney (dos Beatles), John Entwistle (”the thunder fingers”, do Who), Roger Waters (no inicio do Floyd), Charles Mingus, Donald “Duck” Dunn (da Stax e do Booker T and MGs).

O seu fascínio por guitarras 12 strings vem desde o início do seu aprendizado com o instrumento?

Nos últimos anos do The Charts (entre 97, 98 e 99) já ouvíamos muito folk rock. No repertório de covers da banda incluímos músicas dos Byrds e também do Buffalo Springfield. Desde então a vontade de dedilhar uma guitarra de 12 cordas e produzir aquela sonoridade foi algo que despertou minha curiosidade, mas na época eu ainda era baixista da banda. Com o fim do Charts em 99, o contrabaixo ficou um pouco de lado e para dar vazão às minhas composições resolvi comprar uma guitarra, uma Telecaster de 6 cordas, que usei durante os anos com o Momento 68.

A decisão definitiva em adquirir uma outra guitarra com 12 cordas veio talvez das minhas visitas à casa do Flávio (ex-guitarrista do Charts). Na casa dele eu ficava tocando um pouco o violão de 12 cordas que ele tinha, o som era extraordinário. E depois toquei uma guitarra em uma loja de instrumentos que me fez decidir definitivamente pela compra do instrumento.

A partir de qual momento percebeu a dimensão do seu envolvimento com a música e que isso faria parte da sua vida por um longo tempo?

Apesar de tocar com bandas desde os anos oitenta, foi com a inauguração do meu estúdio, o Quadrophenia, em 98, que a música passou a ser irremediavelmente a minha profissão. Seja tocando, compondo ou mesmo cuidando das bandas que ensaiam e realizam suas gravações no estúdio. Curto muito o meu trabalho, sou obcecado por gravações e essa é a minha opção para o resto da vida.

Depois do estúdio todas as suas idéias passaram a ser registradas, não? Você tem muita coisa gravada que não lançou?

Sem dúvida tenho uma verdadeira compulsão em gravar e organizar tudo que estou produzindo. Mantendo as devidas proporções, Pete Tonwshend comentou em uma entrevista que, durante todos seus anos envolvido com música, gravar foi sem dúvida o seu principal hobby, e eu compartilho da mesma opinião. Tenho um pequeno arquivo de músicas, no ano passado parte dele se transformou no meu primeiro álbum “solo”, lançado pela Peligro/Open Field intitulado “Sandro Garcia- Enigma Central Park demos vol.1″. No primeiro semestre deste ano gravei muitos ensaios do Continental Combo, acabei acumulando muitas versões alternativas de faixas que estamos preparando para um single novo ainda neste ano ou talvez um novo álbum no início de 2007. Há ainda a idéia de compilar faixas ao vivo, demos com versões alternativas e covers e lançar algo nesse segundo semestre, enfim é questão de fazer uma boa triagem em nossos back ups.

Qual foi a última banda que ouviu que lhe chamou atenção?

Não é exatamente uma banda nova, mais andei ouvindo muito o ultimo trabalho do Teenage FanClub (o disco Man Made).

O site de Sandro Garcia é
http://continentalcombo.sites.uol.com.br

O blog de Sandro Garcia é:
http://sandrogarcia.zip.net

Saiba mais sobre a Festa da Lista aqui: http://www.ladonorte.net/site/content/view/800/1

Entrevista publicada originalmente no Portal Rock Press - www.portalrockpress num Sábado, 16 de Setembro de 2006 às 14:18:47. Quer informação mais precisa?! :-)

Bel e o Fim dos Irmãos Rocha!

30 de março de 2009

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O que levou os IR! a demorarem tanto entre o primeiro cd e esse último? Uma vez que não pararam de aparecer, participar de festivais (Campari, GIG, AMP), lançamento de vídeo clipe, etc

Acho que a gente é meio enrolado mesmo, pra tudo, tanto pra fazer músicas novas como pra gravar e, especialmente, pra lançar alguma coisa. Mas sempre foi assim: o AEQDIR! foi gravado no meio de 2003, ficou pronto em 2004 e só foi lançado em 2005! Dentro DESSE raciocínio a gente até melhorou, o disco está praticamente pronto e foi gravado em fevereiro desse ano. Se bem que ainda não foi lançado, melhor não contar vantagem.

O que você aponta como diferencial entre os dois trabalhos?

O primeiro disco era de uma banda viva e este, lamento dizer, é de uma banda que já acabou. Foi simples: um dia o Raul disse que não queria mais tocar bateria. Não com os IRMÃOS ROCHA!, ele não queria tocar mais. Isso nos levou a uma pergunta óbvia: pegamos outro baterista e vamos adiante ou era isso? Decidimos que era isso, mas que a gente ia gravar algumas coisas que nunca tinha sido registradas. Esse foi o espírito.

A sua idéia de produção mudou muito? Sei que você é o único a se interessar pelos detalhes, que tem paciência de reouvir tudo e descobri o que deve ser refeito, o que faltou, etc

Não, a minha idéia segue a mesma: tem que ficar massa. Se isso significa regravar ou mudar alguma coisa, é meio instintivo mesmo: tem que ouvir e sentir o que serve ou não.
O que mudou é a tecnologia. É muito mais fácil arrumar os erros e eu não tenho pudores em fazer isso numa gravação.

O que mudou em termos de sonoridade? Uma vez que, ferramentas como o mp3, por exemplo, tem influenciado no resultado final da produção? Especificamente pela atual obssessão de tudo ser muito alto na masterização, uma vez que o mp3, pela baixíssima qualidade, demanda isso.

Estamos exatamente neste ponto (está tudo gravado e mixado, falta masterizar). Todo mundo quer que o som fique poderoso e tal, mas a gente não está precisa se preocupar com nada além da nossa própria satisfação, como de costume. E essa situação toda é meio aquela história do Spinal Tap, lembra, que o ampli do cara ia até 11? O que todo mundo quer hoje é ser o mais alto, mesmo que isso venha a estragar o que foi gravado. Me parece meio idiota gravar uma coisa com toda a atenção pra atolar tudo numa mixagem que possa competir com, sei lá, o que quer que esteja no rádio essa semana.

Até que ponto as opções de lançamento no mercado influenciaram na produção em si? Existe ainda o desejo de ter algo material e não apenas virtual?

Meio repetindo a resposta acima, eu não vou masterizar o disco pra competir com o Metallica, por exemplo. Quero que soe poderoso, claro, mas verdadeiro (porque é só a gente tocando, né?). Mas o desejo de ter uma coisa material na mão existe sim, nem que seja porque eu fui criado dessa forma, sei lá. O sonho é lançar em vinil, mas com o assunto de não ter mais fábrica no país e ter que pagar taxa de importação pra trazer de fora, é um problema.

A Última Dança no Ocidente

25 de março de 2009

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O que pode ser mais triste do que um loja de discos fechar as portas? Bem, essa pergunta pode ser respondida de várias formas. Apenas direi que, não mais triste, e sim, tão triste quanto, é uma ótima banda chegar ao fim. Infelizmente é o que você estão pensando sim - Os Irmãos Rocha! não mais existirão na sua única e clássica formação. Sabe o que poderia ter sido mais triste? Não ter visto nenhum show deles. Mas meninos, eu vi! Eu vi dois shows. O primeiro no festival GIG Rock em Porto Alegre em um set encurtado que deixou um gosto de quero mais. Isso porque antes de ir ao festival, a primeira coisa que fiz antes de ir para o hotel, foi trilhar o caminho direto para o estúdio, onde vi parte do ensaio. Isso foi “epcot center”! Eles nunca souberam disso, mas esse dia ficou marcado como o meu primeiro dia de volta a civilização. O dia em que fiquei feliz ao ver um engarrafamento. Meninos, podem acreditar! Eu estava saindo de um isolamento de 7 meses, sem amigos, sem trabalho, sem dinheiro. Viajei sem saber como iria voltar… mas precisa ir, e fui! O impacto com a civilização trouxe algumas reações impensadas de minha parte, que chocou algumas pessoas… eu sei… mas era como aprender a andar novamente. Se bem que, não sou muito diferente quando verdadeiramente adaptada ao meio dito civilizado. Confesso que consegui alguns inimigos de graça - como ter me ajoelhado no saguão do hotel, fazer o sinal da cruz, em resposta a um carioca, que tentava me convencer que “a ilha lost” era a oitava maravilha. I was free again e isso era algo que ninguém sabia. E a trilha sonora principal desse happening foi os IR!. Ainda encontrei um dos maiores conhecedores da música de três canadenses chamados de Rush, Terence, e Sheilinha, que após o festival fomos ver um show dos Walverdes, no extinto Dr. Jeckel. No dia seguinte me perguntaram: “O show do Walverdes foi bom?” - e minha resposta foi: “E Walverdes faz show ruim?”.
O segundo momento foi no lançamento do video-clipe de “Coisa Medonha”. O palco foi do famoso Ocidente, já cravado na história do rock gaúcho, que iria inaugurar um outro ambiente com um show, da também gaúcha, Tom Bloch, no mês seguinte. Desta feita, graças ao Patativa(sim, o Pata estava por lá nessa época) tive lugar para passar a noite, por sinal, batizado de misterioso pelo Pedro Veríssimo. Vesti minha camiseta do Rubinoos - banda que só eu, Aldo e Bel gostamos - peguei um casaco e fui num frio danado de bom, assistir o segundo show dos IR!. Antes do show rolou uma belíssima montagem de imagens preto e branco de filmes horror/trash, misturadas com Beatles, Monkees, Elvis, Kinks, Stones, projetada num telão. Além disso, os Irmãos usaram uma iluminação criativa e inédita de palco: cada integrante tinha sua própria luz.
A realidade é implacável. Esperava que, com o tempo, essa notícia do final da banda, fosse transformada e o fim não viria. Nada aconteceu. O que estava programado, se manteve. E o The Last Waltz dos Irmãos Rocha! acontecerá, desta feita, sem a minha presença. Como lembrou Bel serei o I’m Not There. Bem, de alguma forma estarei lá. Afinal, tudo está interligado e o passado se faz presente, de alguma forma. Porque, na verdade, eu não esqueci que a Aron’s da Highland e a Nuvem Nove da Clodomiro Amazonas fecharam as portas, nem que um dia, os IR! foram para sempre…

Zé Viola progressive band se apresenta no Bar & Arte em Campina Grande

10 de março de 2009

Imagine se o paraibano Zé Ramalho encontrasse a banda de rock progressivo Pink Floyd, ou mesmo, se Chico César fizesse uma jam session com o Led Zeppelin. Parece improvável, mas estas são fusões imaginadas e executadas pela banda Zé Viola Progressive Band que se apresenta neste sábado, 14 de março às 22 horas, no Bar & Arte, localizado na rua 13 de maio no centro da cidade de Campina Grande.

A Zé Viola progressive band é um projeto dos guitarristas André Nóbrega(guitarrista e vocalista) e Helder Laurentino(Guitarrista e backing vocal). A banda, criada em 2006 tem a proposta de misturar a linguagem regional ao rock progressivo, ambos com influências da década de 70. O nome ZÉ VIOLA é uma homenagem aos músicos Paraibanos Zé Guilherme e Chico Viola pela musicalidade e expressividade regional destes artistas. O fato de serem dois nomes Zé e VIOLA - e a extensão final do nome PROGRESSIVE BAND são inspirações do rock progressivo e de um dos maiores nomes desse gênero, a banda PINK FLOYD, a qual o nome é a junção, também, do nome de dois artistas da época admirados pelos integrantes. Na atual formação, além de André e Helder, tem Edy Gonzaga(baixo) e Nielsen Batista(bateria).

A banda lançou um EP “Devaneios e Espinhos” em 2007, disponível para download gratuito na internet no link do myspace(abaixo), além das bem recebidas apresentações no ESTAÇÃO NORDESTE, PROJETO SEIS E MEIA, PROJETO DA PREFEITURA DO RECIFE, PROJETO GLÓRIA VASCONCELOS, PROJETO SOM DA PRAÇA, PROJETO BANDAS NOVAS da Associação de Músicos da Paraíba e Pátio da MÚSICA URBANA. A banda programa o lançamento de um novo CD para o primeiro semestre deste ano.

Contato:

André Nóbrega - Tel:(83)8827 0700 e-mail: andrevaradouro@hotmail.com

Edmundo Gonzaga - Tel: (83) 8889 1019 e-mail: edygn@hotmail.com

My Space

Texto de divulgação com interferências minhas.

Música Urbana para a posteridade

4 de fevereiro de 2009

Em 2008 a loja de discos Música Urbana comemorou dez anos de existência. Fruto do trabalho incessante, paciente e perseverante do seu dono Robério Rodrigues, tornou-se um espaço cultural alternativo dentro da aridez desses tipos de espaços na capital paraibana. É nela que voce encontra seu som preferido, novidades e raridades, seja em disco, video ou livros. E ainda há o apoio para as bandas de rock e pop - local e de outros cantos do país - , que desfilam seus sons no pátio em frente a loja. De quebra ainda encontra os amigos para trocar uma idéia e tomar uma cerveja gelada. Juntando todos os argumentos, é o local de bom astral…
Idealizado e realizado por Jesuíno André ao longo dos anos 2007 e 2008, o video em DVD traz uma singela mostra - com a cara de homenagem - desse espaço que tantos apreciam e pela simpatia do seu dono. Apesar da configuração amadora em sua feitura, serve como registro da tão desprezada memória das nossas vidas, que displicentemte não preservamos.
A Música Urbana é patrimonio dos alternativos e patrimonio da cidade!

Agora podemos assistir via Youtube nos endereços abaixo ou então encomendar uma cópia em dvd na própria loja.
Apoio: Portal Ladonorte

Música Urbana - 10 Anos (parte 1)

Música Urbana - 10 Anos (parte 2)

Zona Zine - O Retorno

21 de janeiro de 2009

Depois de quase dois anos o fanzine Zona-Zine terá o #16 lançado em fevereiro. Carol Morena, mentora e editora do ZZ, programou um evento para comemorar e lançar o fanzine oficialmente.

O lançamento será no pátio de Música Urbana, com pocket shows do Zeca Viana e Onomatopéia Bum (de Recife), Madalena Moog (mandando versões acusticas) e os novos projetos do Rieg Wasa (ex star 61) e Fábio Queiroz (ex Flávio Cavalcanti), o Skylab, além de discotecagem, feira de trocas e venda das camisetas feitas pelo Rieg e pela Sarah Falcão.
Carol ainda lembra: Quem mora distante de João Pessoa e/ou mesmo que não more longe e prefira receber o fanzine em casa, é só mandar um e-mail para morena.carolina@gmail.com.

Serviço:
Lançamento do Zona-Zine#16
Shows com:
Zeca Viana e Onomatopéia Bum / Rieg Wasa / Madalena Moog / Skylab
+ Feira de troca, venda de camisetas e discotecagem da Carol Morena
Quando? 07 de fevereiro
Que horas? 15 horas
Onde? Pátio da loja Música Urbana, no centro (em frente ao antigo Cine Municipal).
Com? Cerveja gelada por R$2,00